quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ícone moderno

 

Revista de História

Livro 'O risco - Lucio Costa e a utopia moderna' traça o percurso de vida e as obras do arquiteto que chamava Brasília de 'a cidade que inventei'

Luiz Cruz

Fachada norte do edifício Gustavo Capanema, no Centro do Rio

Fachada norte do edifício Gustavo Capanema, no Centro do Rio

Iluminado. Assim vamos encontrar Lucio Costa no livro “O risco - Lucio Costa e a utopia moderna”, editado por Sesc/RJ e CEF. Geralmente um livro pode virar filme. Este é o contrário, foi o filme de Geraldo Motta Filho que virou livro. Um belo livro, todo em páginas pretas, num bonito projeto gráfico para mostrar a grande figura da arquitetura moderna brasileira. “O risco” traz uma série de depoimentos de pessoas da família, amigos, companheiros de trabalho e admiradores. É obra que contribui muito para entendermos a trajetória do arquiteto.

Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa nasceu em Toulon, França, em 27 de fevereiro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia13 de junho de 1998. Ele foi “um pensador, muito mais do que mero arquiteto ou urbanista”, segundo depoimento do arquiteto Lauro Cavalcanti. Iniciou sua formação na França, depois na Suíça e, posteriormente, na Inglaterra. Retornou ao Brasil para cursar a Escola Nacional de Belas Artes. Logo que se formou, em 1924, instalou seu escritório de arquitetura em parceria com Gregory Warchavchik – russo, com formação na Itália, que se mudou para o Brasil em 1923 e foi o precursor da arquitetura moderna em São Paulo. O escritório da dupla se tornaria num reduto de puristas (em oposição ao neocolonial, cheio de detalhes), procurado por jovens arquitetos. Em 1930, foi convidado a dirigir a Escola de Belas Artes e conseguiu inovar todo o sistema de ensino. Uma das consequências foi o Salão Nacional de Arte, de 1931, que tornou-se uma referência das artes plásticas.

Um pouco antes disso, foi criado o Sphan – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (hoje Iphan), ligado à trajetória do arquiteto. Ele integrou a equipe técnica do instituto a partir de 1937 e lá ficou até se aposentar, em 1972. O Sphan nasceu como resultado das propostas dos modernistas brasileiros. Em 1924, foi realizada a conhecida expedição a Minas, que tinha como objetivo uma “redescoberta” do se havia produzido de arte no Brasil. Dela faziam parte: Mario de Andrade, Oswald de Andrade e seu filho Nonê, Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado, René Thiollier, Gofredo da Silva Telles e o poeta franco-suíço Blaise Cendrars. Encontraram tesouros, além de sítios correndo grave risco de se perderem devido ao total abandono. Foi a partir dessa expedição que se iniciou a preocupação para a preservação patrimônio cultural. O texto do Decreto-Lei Nº 25, de 30 de novembro de 1937, teve redação de Mario de Andrade, com orientação jurídica de Rodrigo Mello Franco de Andrade, que era advogado e foi o primeiro diretor do órgão, dirigindo-o por 30 anos. Rodrigo conseguiu formar um grupo de apoio expressivo, envolvendo várias figuras como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mario de Andrade e outros.

Em 1935, por meio de edital publicado em 23 de abril, foi realizado um concurso para a escolha do projeto arquitetônico para a nova sede do Ministério da Educação, Cultura e Saúde. A proposta vencedora foi de Archimedes Memória, de inspiração “marajoara”. O vencedor recebeu o prêmio, mas o projeto não foi executado. Como naquele momento predominava a influência “modernista”, em circunstância deliberada por Drummond, o ministro Gustavo Capanema, convidou Lucio Costa para criar o projeto para a sede do ministério.

Lucio monta, então, uma equipe para desenvolver a proposta, fazendo parte dela Carlos Leão, Jorge Moreira, Ernani Vasconcellos, Affonso Eduardo Reidy. Oscar Niemeyer trabalhava juntamente com Lucio, em seu escritório, mas não se sentia parte da equipe – estava aprendendo. Porém, deu contribuições expressivas para a elaboração do projeto.

Foi o Lucio Costa quem sugeriu que se convidasse o arquiteto Charles Edouard Janneret, mais conhecido por Le Corbusier, para prestar uma consultoria durante a elaboração do projeto para a sede do Ministério da Educação, Cultura e Saúde, depois Palácio da Cultura e atualmente Palácio Gustavo Capanema. O arquiteto passou seis semanas no Brasil e fez muitas sugestões, mas predominou a inspiração dos arquitetos brasileiros e o prédio ficou com as características leves e sobre pilotis elegantes. Enquanto a obra deste arquiteto é pesada, extremamente arrojada. O oposto desenvolvido pela arquitetura moderna brasileira, que foi reconhecida internacionalmente pela ousadia e inovação.

O edifício é considerado um marco no estabelecimento da arquitetura moderna brasileira, tendo-se tornado referência internacional. Foi a grande atração da mostra “Brasil Builds”, realizada no Museum of Modern Art of New York, de 1943, e referência na revista francesa “Architecture D’Aujourd’hui”, de 1947.

 

Lucio Costa foi um homem do patrimônio. Ele dizia que só é possível revolucionar o futuro se você conhecer bem o passado. E como arquiteto e urbanista, ele mergulhou profundamente no passado. Sua viagem a Diamantina, em 1924, marcou para sempre sua vida profissional. Ele se encantou pela cidade, organizada e instalada num lugar isolado, onde a pedra predominava. Depois, a convite de Rodrigo Melo Franco de Andrade, pelo Iphan, realizou duas longas viagens por Portugal coletando informações para redigir um trabalho mais amplo sobre a origem de nossa arquitetura. Como Lucio Costa foi postergando a redação do trabalho e Rodrigo tinha pressa em ver resultados, decidiu, então, convidar Germain Bazin, do Museu do Louvre, que prontamente aceitou o convite e redigiu “L’architecture religieuse baroque au Brésil”, Paris, Plon, 1956. Lúcio ficou inconformado, achou que tinha sido traído por Rodrigo, mas suas viagens a Portugal resultaram em cadernos com muitos desenhos e informações. Se Lucio não redigiu o trabalho, as viagens muito contribuíram para o entendimento da formação das antigas vilas portuguesas e nossas cidades.

“A cidade inventada”. Assim, o arquiteto e urbanista se referia à Brasília, cidade que ele criou. Isto surgiu em decorrência a uma série de críticas que fizeram sobre a nova capital brasileira. Uma capital instalada no nada, sem referência, sem memória, apenas implantada no centro do País, no cerrado. Onde predominavam árvores retorcidas e terra vermelha (um lugar totalmente desconhecido no aspecto ambiental). Lucio não compareceu à inauguração de Brasília. Só a visitou depois de muitos anos, acompanhado de sua filha, Maria Elisa Costa, também arquiteta, e ficou encantado com sua criação, ao constatar que lá já havia uma geração de pessoas nascidas na cidade, havia vida própria. E era uma cidade com alma. “A cidade que inventei”. Esta passa a ser a referência que Lucio Costa utilizava após sua visita.

Essa “invenção” aconteceu após o retorno de uma de suas muitas viagens. Após desembarcar, pôs-se a trabalhar. Havia se inscrito no concurso para a criação do Plano Urbanístico de Brasília. Trabalhou silenciosamente durante dois meses em casa e em seu escritório. Apenas sua filha sabia o que se passava em sua cabeça. No dia 10 de março de 57, poucos minutos antes de encerrar o prazo de inscrições, Maria Elisa Costa entrega o projeto criado seguindo os preceitos da Carta de Atenas, documento elaborado em 1933, pelo Congresso Internacional de Arquitetura Moderna. Era uma proposta diferente, um projeto literário e muitos desenhos feitos a lápis de cor.

A comissão julgadora era composta pelo sir William Holford, urbanista inglês, André Sive, Stamos Papadaki, Oscar Niemeyer, Luiz Hildebrando Horta Barbosa e Paulo Antunes Ribeiro. À primeira vista, tudo parecia confuso, mas após a terceira leitura, sir Holford entendeu e clamou que estava diante da maior contribuição urbanística do século XX. O projeto de Lucio Costa foi o vencedor e Oscar Niemeyer foi o arquiteto escolhido para criar as edificações. Assim, Brasília saiu do papel e se tornou realidade.

Em 1962, Darcy Ribeiro era o ministro da Educação e Cultura, no Governo de João Goulart, e trouxe novamente ao Brasil Le Corbusier. Um dos pontos visitados por ele foi o Parque Guinle, projetado por Lucio Costa, com amplo uso de treliças e bastante inspirado na arquitetura colonial mineira. Ítalo Campofiorito foi o escolhido para acompanhar o arquiteto, inclusive a visita à Brasília. Ítalo registrou as impressões do famoso urbanista franco-suíço em “O risco”, que disse: “eles conseguiram uma coisa que nunca consegui. Mas contavam com uma coisa que eu nunca tive ao meu lado: a autoridade”. E continuou: “Essa cidade foi pensada par un type”. Mais adiante: “O que é bom nessa cidade é que ela tem uma alma”. A visita dele e os registros de suas impressões são um presente à capital brasileira, uma cidade símbolo do modernismo, da ousadia do brasileiro.

No mesmo livro “O risco - Lucio Costa e a utopia moderna”, vamos encontrar depoimentos impressionantes, especialmente o de Sergio Ferro que apresenta um enorme contraste sobre o clima de sonho e prosperidade que tomou conta dos anos em que se construía Brasília e a triste realidade do dia a dia da construção, das péssimas condições oferecidas aos operários, uma mão-de-obra sem qualificação alguma. Milhares de homens que enfrentavam jornadas enormes de trabalho, com alimentação precária. Cercados e ameaçados. Segundo Sergio Ferro, o sofrimento era tanto que muitos operários se suicidaram. Jogaram-se embaixo de caminhões, desesperados, com fome, diarreia e impossibilitados de sair de lá. Um contraste entre a proposta de Lucio Costa e Niemeyer e, principalmente, o discurso oficial de Juscelino Kubitscheck e a realidade.

A memória de Lucio Costa é preservada através da ONG Casa Lucio Costa, criada no Rio de Janeiro, para reunir sua vasta coleção de documentos, desenhos e projetos. Mais informações podem ser obtidas através do site: www.casadeluciocosta.org/

Luiz Cruz é professor de Línguas e Educação Patrimonial, vive em Tiradentes/MG

Referência Bibliográfica:

AMARAL, Aracy A. Blaise “Cendras no Brasil e os modernistas”. São Paulo: Ed.34/FAPESP, 1997.

CAVALCANTI, Lauro Pereira. “Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura”. Rio de Janeiro: Jorge Zahah Ed., 2006.

WISNIK, Guilherme –Organização. O risco - Lucio Costa e a utopia moderna”. Coordenação de projeto: Juliana Simões de Carvalho e Geraldo Motta Filho. Apoio Cultural SESC/RJ e outros

Ícone moderno - Revista de História

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

John Milton

 

John Milton, filho do banqueiro John Milton Senior e Sara Jeffrey, nasceu em 9 de dezembro de 1608 em Londres, Inglaterra. Recebeu sua educação formal na mesma cidade, no St Paul's School. Posteriormente, em 1625, matriculou-se no Christ's College, em Cambridge, ali permanecendo por sete anos até concluir os estudos e formar-se em Artes, no ano de 1632. Assim, contrariando o desejo paterno de que Milton seguisse a vida religiosa.

Milton, neste momento, com apenas 25 anos, já se revelava um homem de mente e espírito privilegiados, tendo se graduado com expressão em disciplinas como filosofia, teologia, história, política, ciências e literatura. Também já era um ávido escritor de poemas e sonetos em latim, italiano e, obviamente, inglês. Nesta época ele compõe a obra L'Allegro, uma ode à vida e hábitos no campo, e Il Penseroso, como um complemento do primeiro, sendo um louvor à contemplação e ao recolhimento. Ainda, dedica-se à redação da peça teatral intitulada Comus – Um disfarce, uma fábula mitológica na qual aborda o conflito entre o bem e o mal.

Passa alguns anos de sua juventude morando com seu pai em Buckinghamshire. Neste período, teve a oportunidade de dedicar-se intensamente aos estudos de matemática e de clássicos como Dante, Tasso e Petrarca.

No ano de 1638, após o falecimento da mãe, Milton viaja para a França, Suíça e Itália, tendo conhecido pessoalmente o físico e pensador italiano Galileu Galilei e se aproximado do movimento renascentista. No mesmo ano compõe a elegia Lycidas. A partir de 1641 tem início sua fase mais criativa e produtiva. Milton elabora, além de poemas, sonetos e peças teatrais, ensaios sobre política e religião.

Em junho de 1642, já atuando profissionalmente na área de ensino, casa-se com Mary Powell de apenas dezesseis anos de idade. Porém, cerca de um mês após o matrimônio, Mary parte em visita aos pais e não retorna. Fato que certamente influiu na produção literária de Milton nos anos seguintes, publicando ensaios nos quais defende com veemência a legalidade e os aspectos morais do divórcio.

Em 1641, afrontou a doutrina eclesiástica publicando Of Reformation Touching Church Discipline in England (Sobre a reforma da disciplina eclesiástica na Inglaterra). O contato com o professor tcheco Comenius e com o educador inglês Samuel Hartlib inspirou Milton a elaborar um tratado sobre educação em 1644. No mesmo ano, publicou Areopagitica, um discurso que defende a liberdade da imprensa e até hoje é considerado uma das obras mais bem construídas sobre o tema. Neste período, também participa ativamente da política inglesa e ocupa cargos elevados durante o período republicano.

Em 1645, Mary regressa e Milton aceita seu retorno. O casal teria quatro filhos: Anne, Mary, John e Deborah. No ano seguinte, Milton em boas condições econômicas abandona o ensino. Paralelamente, sofre com a perda de seu pai.

No ano de 1649 o poeta já apresenta sinais da perda gradativa da visão. Foi diretor do jornal Mercurius Politicus em 1651 e abertamente defendeu a revolução em detrimento da monarquia. Manifestou-se também em relação à matança de protestantes na Itália no episódio do Piemonte, através do soneto On the Late Massacre in Piedmont (Sobre o recente massacre em Piemonte).

Mary Powell falece em maio de 1652 devido à complicações no parto de Deborah. No mês seguinte, John de apenas 15 meses, também falece. Estas perdas abalaram sensivelmente Milton. Porém, neste momento, devido à saúde debilitada, não chegou a ser detido após a restauração da monarquia.

Em 1656 Milton casa-se com Katherine Woodcock. No final do ano seguinte, Katherine dá à luz a menina também de nome Katherine. Porém, em fevereiro a esposa Katherine falece. No mês seguinte, a filha Katherine também morre. Em 1658 dá início à produção literária de uma de suas obras mais relevantes: Paradise Lost (Paraíso Perdido). Em 1660, empobrecido, enfermo e contrário às condições políticas da Inglaterra, recolhe-se e dedica o tempo a compilar as próprias obras.

Em fevereiro de 1663, Milton casa-se novamente. Elizabeth Minshull, de apenas 25 anos, é sua terceira esposa. A esta altura, já completamente cego e passando por sérias dificuldades financeiras, dita o poema Paradise Lost que foi redigido em versos não rimados e aborda sob uma perspectiva cristã, a criação de Adão e Eva, o pecado original e a queda de Lúcifer.

Milton, vivendo imerso na pobreza, vende os direitos de publicação de Paradise Lost em 1667, sendo publicada no mesmo ano. Em 1671 publica a continuidade de Paradise Lost, a obra Paradise Regained (Paraíso Recuperado), que teria sido inspirada no Evangelho de Lucas e aborda o retorno de Cristo à Terra para resgatar o que Adão havia perdido. No mesmo ano é publicado Samson Agonistes. Em 1674, Paradise Lost é reorganizado em doze partes pelos editores e é publicado novamente.

Em 8 de novembro de 1674, pouco antes de completar 66 anos e ainda vivendo na companhia de Elizabeth Minshull, John Milton falece devido à diversas enfermidades.

Ao lado de Shakespeare, John Milton é uma das mais célebres e significativas personalidades da literatura inglesa. Sem dúvida, sua obra mais relevante é Paradise Lost que coloca Satã como personagem central e seria fonte de inspiração para os românticos que viriam. Mais do que a figura de autor classicista, um Milton pensador e contestador, politizado e corajoso ajudam a compor sua admirável biografia.

Por Spectrum

John Milton

sábado, 23 de julho de 2011

Livro histórico de Vital Brazil é relançado

 

Obra comemorativa do Instituto Butantan traz fac-símile da original “A Defesa Contra o Ophidismo”, do cientista Vital Brazil, analisada por 12 pesquisadores

 

Agência FAPESP – O Instituto Butantan lançou no dia 4 de julho a edição comemorativa do livro A Defesa Contra o Ophidismo – 100 Anos Depois.

A obra traz um fac-símile da original A Defesa Contra o Ophidismo, do cientista Vital Brazil Mineiro da Campanha (1865-1950), com análises de 12 pesquisadores que abordam desde aspectos históricos dos acidentes e tratamentos envolvendo animais peçonhentos, quanto cenários envolvendo as atuais tecnologias para a produção de soros hiperimunes.

Eentre os autores das análises estão pesquisadores dos Institutos Butantan, de Infectologia Emílio Ribas, Adolpho Lutz, da Fundação Oswaldo Cruz e da Sociedade Brasileira de Toxinologia.

A publicação da obra original completou 100 anos em abril e se tornou um marco na história da produção científica brasileira. Ela é responsável por estabelecer parâmetros para a identificação e tratamento de acidentes com animais peçonhentos por meio de soros.

O ofidismo era um dos maiores desafios da saúde pública no início do século 20 e as descobertas de Vital Brazil, detalhadas no livro, ainda ajudam a salvar vidas. O cientista produziu no Butantan soros específicos para os venenos das serpentes brasileiras.

Mais informações: www.butantan.gov.br

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mais de 4 mil livros de ciência de graça

 

National Academies Press, editora das academias nacionais de ciência dos EUA, publica todo o catálogo em pdf para ser baixado livremente

Agência FAPESP – A National Academies Press (NAP), editora das academias nacionais de ciência dos Estados Unidos, anunciou no dia 2 de junho que passou a oferecer seu catálogo completo para ser baixado e lido de graça pela internet.

São mais de 4 mil títulos, que podem ser baixados inteiros ou por capítulos, em arquivos pdf. A NAP publica mais de 200 livros por ano nas mais diversas áreas do conhecimento, com destaque para publicações importantes em política científica e tecnológica.

Os livros podem ser copiados livremente a partir de qualquer computador conectado na internet e mostram o esforço da NAP em democratizar o acesso ao conteúdo produzido pelas academias norte-americanas. As academias, que atuam há mais de 100 anos, são: National Academy of Sciences, National Academy of Engineering, Institute of Medicine e National Research Council.

Os títulos em capa dura continuarão à venda no site da NAP. A opção de ler de graça parte de livros ou títulos inteiros começou a ser oferecida pelo site em 1994. A oferta de todo o catálogo de graça para ser baixado em pdf foi feita primeiro para os países em desenvolvimento.

Entre os títulos que podem ser baixados estão: On Being a Scientist: A Guide to Responsible Conduct in Research, Guide for the Care and Use of Laboratory Animals e Prudent Practices in the Laboratory: Handling and Management of Chemical Hazards.

Mais informações: www.nap.edu

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sábado, 28 de maio de 2011

Barroco

 

 Arquitetura – obra da época barroca

O Barroco começa a partir do ano de 1600 e todas as manifestações entre essa data e 1700 estão inseridas em um contexto assimétrico e rebuscado das obras barrocas. Segundo alguns autores, a palavra “barroco” deriva da palavra “verruca” do latim, que significa elevação de terreno em superfície lisa. Toda pedra preciosa que não tinha forma arredondada era chamada de barrueca. Logo após, toda e qualquer coisa que possuía forma bizarra, que fugia do normal, era chamada de baroque. O poeta italiano Giosuè Carducci foi quem, em 1860, adjetivou o estilo da época dos Seiscentos, referindo-se às manifestações artísticas ocorridas a partir do ano de 1600, como sendo barroco. Então, apesar de não possuir características unânimes em todas as obras, o barroco passou a ser a denominação dos artistas e escritores da referida época.

O Barroco ou Seiscentismo teve início em Portugal com a unificação da Península Ibérica, fato que acarreta ao período intensa influência espanhola, e também faz surgir outra denominação para o período, Escola Espanhola. No Brasil, o Barroco teve início em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira (http://pt.scribd.com/doc/7289654/Bento-Teixeira-Prosopopeia-1601), o qual introduz em definitivo o modelo da poesia camoniana na literatura brasileira. 

Portugal estava em decadência nos últimos vinte e cinco anos do século XVI, o comércio tornava Lisboa a capital da pimenta, no entanto, a agricultura estava abandonada e as colônias portuguesas, inclusive o Brasil, não deram riquezas imediatas. Pouco tempo depois, com o desaparecimento de D. Sebastião, Filipe II da Espanha consolidou a unificação da Península Ibérica, o que possibilitou e favoreceu o avanço da Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma, o que ocasionou a permanência de uma cultura praticamente medieval na península, enquanto o restante da Europa vivia as descobertas científicas de Galileu, Kepler e Newton, por exemplo.

É durante este quadro cultural europeu que o estilo Barroco surgiu, em meio à crise dos valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas e dificuldades econômicas. O contexto assimétrico e rebuscado do barroco, citado anteriormente, é reflexo do conflito do homem entre as coisas terrenas e as coisas celestiais, o homem e Deus, antropocentrismo (homem no centro) e o teocentrismo (Deus no centro), pecado e o perdão, enfim, constantes dicotomias.

No Barroco podemos classificar dois estilos literários: O Cultismo e o Conceptismo.

Cultismo – caracterizado pela linguagem culta, rebuscada, ligado à forma, jogo de palavras, com influência do poeta espanhol Luís de Gôngora, e por isso, chamado também de Gongorismo.
Conceptismo – caracterizado pelo jogo de idéias, ligado ao conteúdo, raciocínio lógico, com influência do espanhol Quevedo, e por isso, chamado também de Quevedismo.

No Barroco brasileiro destacam-se os autores: Padre Antônio Vieira com suas obras de profecias, cartas e sermões e Gregório de Matos Guerra, essencialmente poético.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Barroco - Brasil Escola

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fragmentos gregos

 

Fragmentos gregos

Pesquisadora da USP faz estudo filológico sobre fragmentos do primeiro poeta lírico da Grécia antiga

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Os animais tinham uma presença marcante na obra de Arquíloco, um dos mais importantes poetas da Grécia antiga, nascido na ilha de Paros na primeira metade do século 7 a.C. Os fragmentos de seus escritos que contêm fábulas e imagens de animais foram o mote para um estudo realizado pela professora Paula da Cunha Corrêa, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

O resultado foi o livro Um bestiário arcaico – Fábulas e imagens de animais na poesia de Arquíloco, lançado com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicação. A obra desvenda a conotação do caráter dos animais – bastante diferentes para os gregos antigos – nos fragmentos de Arquíloco, comentando não apenas os poemas, mas também as fontes e os processos de transmissão dos textos ao longo dos séculos.

Corrêa já havia lançado, em 2009, o livro Armas e Varões – A Guerra na Poesia de Arquíloco, que se dedicava ao comentário da obra de Arquíloco sob o ponto de vista da guerra – outra temática recorrente em seus poemas. A autora dedica suas pesquisas ao poeta de Paros desde o doutorado, concluído em 1995 na USP. Em 2001, fez também pós-doutorado sobre o tema na Universidade de Oxford (Inglaterra), com Bolsa da FAPESP.

Embora seja um poeta fundamental da literatura grega, não há um comentário exaustivo de seus poemas. Por isso, resolvi comentá-los a partir de enfoques temáticos. Vários de seus poemas narram fábulas e há um grande grupo deles em que aparecem imagens ou metáforas de animais, geralmente utilizados em poemas eróticos”, disse à Agência FAPESP.

Segundo ela, depois de Homero e Hesíodo – que viveram no século 8 a.C –, Arquíloco é o primeiro poeta grego. “Ele é o primeiro autor da chamada lírica grega, considerando-se a classificação moderna que divide a literatura entre teatro, poesia épica e poesia lírica. Apesar disso, seus gêneros característicos eram o jambo e a elegia”, afirmou.

Os antigos colocavam Arquíloco no mesmo patamar de Homero, mas hoje o poeta de Paros é bem menos conhecido do que o autor de Ilíada e Odisseia.

“Sobrou muito pouco da obra de Arquíloco, cerca de 300 fragmentos. Provavelmente isso ocorreu porque os versos em jambos, além da conotação erótica, têm uma moralidade que mais tarde poderia ser chocante para os cristãos”, indicou.

Além da possível rejeição da Igreja, segundo Corrêa, na própria antiguidade os poemas de Arquíloco podem ter sido mal interpretados, já que o jambo é um gênero que tem afinidade com a comédia, em sua forma de zombar da sociedade e abordar temas como sexo.

“O ‘eu lírico’ presente em um poema em primeira pessoa é um personagem criado pelo autor. Mas, eventualmente, poderia ser lido como se fosse um dado autobiográfico. Então, muitos podiam pensar que o próprio poeta fazia as coisas descritas, que podiam ser consideradas indignas”, disse.

Segundo Corrêa, a obra se divide em duas partes. Na primeira, dedicada às fábulas, a autora fez uma análise de cada um dos poemas, a partir de um ponto de vista filológico. A segunda parte consiste em um levantamento do caráter dos animais desde a Antiguidade.

“São fragmentos que nos chegaram, em alguns casos, por transmissão direta – por meio de papiros do segundo século a.C. – ou, nos casos mais frequentes, por transmissão indireta, por meio de comentários e outras obras que nos chegaram pela tradução manuscrita ao longo da Idade Média”, explicou.

Para cada um dos poemas, a autora fez um levantamento das edições de origem e apresenta comentários. Nem todos os versos estão completos. “Ao estudar os poemas, percebi que a conotação ética – o ethos, ou seja, o caráter – dos animais era em alguns casos fundamental para a compreensão do próprio poema. A raposa, por exemplo, aparecia com uma conotação muito diferente da nossa, que remete a uma esperteza maldosa, pejorativa”, disse.

Agência FAPESP :: Fragmentos gregos | Especiais

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quem diabos é o diabo?

 

Satanás já fez a figura de um promotor público

celeste e de um orgulhoso Anjo Caído. Mas ele

também tem seu lado ridículo


Jerônimo Teixeira

  Exclusivo on-line
Trechos dos livros
Satã - Uma Biografia
Anjos Caídos

Satanás pelo jeito faz o maior sucesso nos cursos de letras. Acabam de chegar às livrarias brasileiras duas obras de professores de literatura americanos que tentam, cada um a seu modo, limpar a péssima reputação do demônio. Satã – Uma Biografia (tradução de Renato Rezende; Globo; 388 páginas; 40 reais), de Henry Ansgar Kelly, da Universidade da Califórnia, procede a um exame minucioso da Bíblia para demonstrar que o livro sagrado não dá apoio à imagem tradicional que se faz do Diabo. Em Anjos Caídos (tradução de Antonio Nogueira Machado; Objetiva; 88 páginas; 29,90 reais), Harold Bloom, famoso crítico de Yale, chama a humanidade a se solidarizar com o velho Satã: criaturas mortais e imperfeitas, seríamos todos – inclusive você, leitor – Anjos Caídos. Satã, no entanto, sai um tanto diminuído da leitura dessas obras. O fascínio e o pavor que ele inspira resistem mal a tentativas de humanização.

A análise do texto bíblico realizada por Kelly às vezes se perde em filigranas gramaticais, o que torna a leitura um tanto árdua (a tradução inepta também atrapalha: chega ao ponto de confundir o Eclesiástico com o Eclesiastes, dois livros diferentes do Antigo Testamento). No cômputo final, Satanás é quase como um figurante na Bíblia. Sua aparição mais marcante no Antigo Testamento se dá no Livro de Jó, quando ele instiga Deus a testar a devoção de Jó infligindo toda sorte de castigo ao pobre. No Novo Testamento, mais vitaminado do que o barnabé jurídico que aparece em Jó, Satanás parece ter o mundo terrestre sob seu comando – mas tal poder, Kelly argumenta, é em última instância delegado por Deus.

A narrativa cristã da perdição e da redenção do homem quase poderia prescindir do Coisa-Ruim. A Igreja, porém, logo sentiria necessidade de um opositor supremo, uma figura na qual concentrar todo o terror do pecado. Aos poucos, foram atribuídas a Satã qualidades que não lhe pertenciam (seus chifres de bode, por exemplo, não aparecem na Bíblia e são uma provável herança pagã dos faunos, criaturas luxuriosas). Kelly atribui a Orígenes de Alexandria, teólogo do século III, o lance criativo de transformar Satanás em um anjo das hostes divinas que, por orgulho, tenta sobrepujar Deus – e acaba caindo do céu. O Anjo Caído, que prefere sofrer no inferno a servir no céu, ganhará uma dignidade diabólica no Paraíso Perdido, poema do inglês John Milton, do século XVII. É nessa figura que se centra Anjos Caídos, ensaio ligeiro de Bloom, admirador ardoroso de Milton. Derivação menor de Presságios do Milênio, a mais complexa (e esquisita) digressão teológica de Bloom, Anjos Caídos repisa os temas tradicionais do autor: Bloom reclama da decadência da leitura na cultura audiovisual contemporânea e reitera que Shakespeare (que não falava muito de anjos, caídos ou não) é muito, muito importante.

Álbum/AKG/Latinstock

CHIFRES PAGÃOS
O diabo no centro de um sabá de feiticeiras, em quadro do espanhol Goya: figura inspirada nos luxuriosos faunos

A dignidade do Anjo Caído de Milton é uma exceção. Ao caracterizar o Satã de Jó, Bloom diz que ele age como "o diretor da CIA de Deus". No mesmo tom, Kelly diz que o Satã do Novo Testamento não é mais diabólico do que um diretor do FBI. Na Legenda Áurea, coleção de histórias de santos do século XIII, um demônio faz um papelão ao tentar (sem sucesso) fazer com que Santa Justina ceda às investidas sexuais de um sedutor atrapalhado. No Fausto de Goethe, o demônio Mefistófeles se distrai espiando as nádegas dos anjos – e perde a alma de Fausto, carregada para os céus. O poeta francês Charles Baudelaire observou que o maior truque do diabo é nos convencer de que ele não existe. Faz sentido: é só dar-lhe um pouco de atenção, para o diabo se tornar uma figurinha ridícula.

http://veja.abril.com.br/170908/p_140.shtml

Super Grana