segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Interpretações do homem simples

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Terceiro volume de uma trilogia articulada por uma teoria sociológica da relação entre vida cotidiana e História, o livro A Aparição do Demônio na Fábrica, do sociólogo José de Souza Martins, recebeu o terceiro lugar do Prêmio Jabuti de Ciências Humanas de 2009.


Martins é professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Superior da FAPESP. O livro, lançado em 2008, tem como ponto de partida uma série de supostas aparições demoníacas que tumultuaram uma fábrica de São Caetano do Sul (SP), em 1956. O episódio foi testemunhado pelo autor.


Apoio-me na reconstituição do que vi e ouvi, quando era adolescente e trabalhava naquela fábrica, e em entrevistas com diferentes testemunhas da ocorrência para conferir os dados de minha própria memória”, disse à Agência FAPESP.


O método utilizado, definido por Martins como “observação participante retrospectiva”, foi viabilizado pelo que os sociólogos Peter Berger e Thomas Luckmann – autores de A Construção Social da Realidade – chamam de alternação biográfica: o distanciamento biográfico e cultural que permite ao sociólogo tratar objetivamente dados retidos na memória.


A Aparição do Demônio na Fábrica reúne uma série de ensaios que combinam memória e análise sociológica objetiva: A Aparição do Demônio na Fábrica, A gestação do ser dividido: a ferrovia e a modernidade em São Paulo, Subúrbio e periferia, antinomias do urbano, Odores, sons e cores: mediações culturais do cotidiano operário e O ciclo faltante – Interrogando o historicamente ilógico. Todos levam o leitor a um mergulho na vida cotidiana dos bairros operários do ABC paulista.


O ensaio de mesmo nome do livro, segundo Martins, trata de um caso relativo a um problema técnico surgido na linha de produção de uma nova planta industrial, em uma fábrica antiga, que foi interpretado pelas operárias da seção da ocorrência como “manifestação demoníaca decorrente da falta de observância do rito das primícias quando o novo setor entrou em operação”.


Tratava-se de um desencontro entre o conhecimento próprio da engenharia da produção e o conhecimento cotidiano próprio do trabalho. Basicamente, o livro como um todo constitui uma etnografia do imaginário obreiro”, explicou.


A obra trata essencialmente das origens sociais do “Eu” dividido nas relações fabris, um modo radicalmente diferente de ver e compreender o operariado.


Não só o caso da aparição do demônio é a referência do livro, com a análise sociológica da inversão imaginária da realidade fabril para torná-la inteligível, que é o procedimento do homem comum. Mas também o extenso estudo sobre a mediação de sons, odores e cores como demarcadores desse imaginário, em particular na inversão do desenho da casa operária e no surgimento dos jardins domésticos e proletários, um aspecto da cultura operária ainda não estudado no Brasil”, disse.


Consciência social


A Aparição do Demônio na Fábrica encerra uma trilogia sobre o subúrbio operário, iniciada com a publicação de Subúrbio (1992) – que ganhou o Prêmio Jabuti de Ciências Humanas de 1993 – e continuada com A Sociabilidade do Homem Simples, reeditado em 2008.

As três obras, segundo o autor, estão articuladas entre elas por uma teoria sociológica da relação entre vida cotidiana e História – uma teoria da historicidade das ações e relações sociais – representando uma completa reordenação e redefinição da trilogia anunciada em Subúrbio.


Nos três livros, trato de diferentes aspectos do cotidiano, em particular o da relevância das mediações na práxis e nelas a da mentalidade do homem simples, como interpretação primária do processo histórico, matéria-prima da análise sociológica”, disse.

Na trilogia, Martins vai na direção contrária das abordagens predominantes. “No conjunto da obra, estou me antepondo à tendência corrente, em nossa sociologia, no estudo da condição operária, que tem sido a de se limitar à dinâmica de classe, das relações de trabalho, àquilo que supostamente move a sociedade industrial em direção a mudanças e inovações sociais”, afirmou.

A principal preocupação interpretativa é compreender as evidências da cultura conservadora do proletariado regional, que redireciona e atenua a latência da dinâmica das classes sociais para compreensões e metas aquém do historicamente possível.


É o que se perde de vista quando o pesquisador reduz o seu objeto às tensões dos conflitos de interesses. Penso na importância metodológica do pressuposto da totalidade, suas tensões e contradições na determinação dialética da consciência social do homem comum”, disse.


Em Subúrbio, Martins utilizou a análise sociológica para desvendar a integridade do cotidiano que não é apreendido de forma trivial. “Com base em pesquisa documental, tratei da irrupção da História no cotidiano, como o parêntese aberto pela Revolução de 1924, de episódios que documentam a constituição de um cotidiano fragmentário em que o todo oculto não se dá a ver senão na análise científica, negando-se ao imediato da consciência social”, explicou.


As fraturas sociais no espaço urbano são abordadas em A Sociabilidade do Homem Simples. “Trato da diferenciação do espaço urbano, do abismo que separa as possibilidades sociais e culturais da riqueza criada pelo trabalho – que se realizam, porém, na monumentalidade arquitetônica e cultural do centro da metrópole –, das carências e limitações sociais e culturais de quem a produz na periferia e no subúrbio, a espacialidade da alienação, as revelações da dimensão onírica do cotidiano e suas inversões. Essa dimensão onírica foi estudada com base em um banco de sonhos”, destacou o autor.


A Aparição do Demônio na Fábrica

Autor: José de Souza Martins

Lançamento: 2008

Preço: R$ 36

Páginas: 224

domingo, 6 de dezembro de 2009

Adultos devem consumir leite?

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – Adultos devem ou não tomar leite? Em torno dessa pergunta polêmica e ainda sem resposta consensual da comunidade científica o livro Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência (Varela Editora) foi lançado este mês durante o 8º Simpósio Latino-Americano de Ciências de Alimentos.

A obra, de Adriane Elisabete Costa Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Maria Teresa Bertoldo Pacheco, pesquisadora do Centro de Química de Alimentos e Nutrição do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), é uma coletânea de publicações científicas a respeito do assunto.

O ser humano é o único mamífero que consome leite de outra espécie e que o continua consumindo após o desmame. Esse ponto tem levantado questionamentos a respeito de seu consumo na idade adulta, que não seria algo “natural”.

Beber leite após o período da lactação foi um hábito adquirido pelos seres humanos ao longo da história. Segundo o livro, adaptações genéticas em diferentes momentos e civilizações promoveram a capacidade de os humanos adultos digerirem os componentes do leite.

Esse processo deve ter começado em uma época histórica próxima ao início da domesticação e da criação de animais, aponta Adriane. Prova de que essa adaptação ao leite é recente em termos históricos é o alto índice de intolerância à lactose (o açúcar do leite) ainda hoje presente na população mundial. “Há regiões em que essa intolerância chega a 80% da população, como em partes da África, Ásia e Oriente Médio”, disse.

No entanto, isso não seria sinal de que o leite é nocivo e que deva ser evitado pelos adultos. O maior motivo é que ele é a principal fonte de cálcio absorvido por meio da alimentação, respondendo por 70% do total ingerido pelo homem desse mineral.

As mães enquanto estão amamentando precisam de reposição de cálcio ou acabam retirando-o do próprio organismo”, alerta Adriane, lembrando que a falta do mineral pode causar problemas nos ossos como osteoporose, osteopenia e osteomalase.

Para a pesquisadora, esse argumento reforça o apoio ao consumo de leite, uma vez que não há vegetais ou outra fonte alimentar tão rica em cálcio. Outro dado importante é que, segundo estudos citados no livro, 45% das lactantes intolerantes à lactose perdem a sua intolerância durante o período de gravidez e de lactação.

Quanto às críticas ao consumo de leite de outras espécies, Adriane rebate dizendo que o homem é extremamente adaptável e tem capacidade para exercer escolhas. “Outros animais também gostam e beberiam leite de outras espécies se lhes fosse oferecido. Mas o homem ainda considera o leite um alimento nobre para dar aos animais”, disse.

Título: Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência

Editora: Varela

Preço: R$ 98

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo - vol. VI

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O sexto volume da coleção Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, lançado sexta-feira (13/11), no Instituto de Botânica de São Paulo (IBt), dá continuidade a um mapeamento abrangente das espécies que produzem flores – ou fanerógamas – em território paulista. A edição atual traz a descrição detalhada, com ilustrações, de 398 espécies de 58 gêneros e quatro famílias.
A série nasceu a partir do Projeto Temático FAPESP com o mesmo nome da coleção, iniciado em 1993 e que envolve mais de 200 pesquisadores sob coordenação de Maria das Graças Lapa Wanderley, do IBt, George Shepherd, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Therezinha Melhem (IBt) e Ana Maria Giulietti (Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS). A equipe de coordenação incluiu, no atual volume, a pesquisadora Suzana Martins, do IBt.
De acordo com Maria das Graças, o sexto volume teve a participação de 20 pesquisadores de diversas instituições e apresenta descrições das famílias das melastomatáceas, poligonáceas, sapindáceas e esterculiáceas. Além das quatro famílias do volume atual, foram descritas em toda a série, até o momento, 130 famílias de angiospermas e duas de gimnospermas.
Das 7,5 mil espécies de fanerógamas estimadas para o Estado de São Paulo, já foram descritas 2.767, de 118 gêneros, perfazendo 37% do total. Os números passam por constante atualização conforme os volumes vão sendo publicados, uma vez que é frequente ocorrer sinonímia ou a descoberta de novas espécies.
As informações contidas nos seis volumes servem de base para a identificação de espécies de plantas nativas e subespontâneas – aquelas que não são nativas, mas foram incorporadas à flora local – de São Paulo. Um dos aspectos importantes é que essas informações servem ainda como apoio para a elaboração de outras floras regionais e para a comunidade científica e a sociedade como um todo”, disse Maria das Graças à Agência FAPESP.
Como ocorreu nos demais volumes, a edição atual seguiu o padrão estabelecido pelas normas do projeto Flora Fenerogâmica, criadas por uma comissão de pesquisadores e atualizadas durante o desenvolvimento das monografias. “As monografias contêm descrições da família, gêneros e espécies. Chaves para gêneros e espécies e ilustrações dos táxons também estão incluídas”, disse.
A nova edição inclui um índice de todas as famílias publicadas até o momento, resumindo o estado atual da obra. “A série contém preciosas informações sobre a diversidade vegetal paulista, reunindo informações taxonômicas, distribuição geográfica e comentários ecológicos das espécies ocorrentes no Estado”, afirmou. As ilustrações botânicas, de alta qualidade, foram feitas por 19 artistas.
Segundo Maria das Graças, a descoberta de vários táxons inéditos para a ciência e novos registros de ocorrência para o Estado reforçam a necessidade de prosseguir na linha de pesquisa adotada pelo projeto. “A detecção de áreas geográficas pouco exploradas durante o desenvolvimento do projeto estimula a ampliação de novas coletas botânicas para o melhor conhecimento da biodiversidade paulista”, disse.
Os cálculos feitos indicam que o Estado de São Paulo reúne uma flora equivalente a dois terços da existente em toda a Europa. O projeto deverá abarcar praticamente a totalidade dessa riqueza vegetal. O grupo já dispõe de material para mais dois volumes, que deverão ser lançados nos próximos três anos.
Além desses dois volumes em fase de editoração, planejamos a publicação posterior de quatro volumes dedicados a famílias muito grandes, como a das orquidáceas e a das leguminosas. Nesses casos, cada volume corresponderá a apenas uma família”, disse. O projeto prevê ainda a atualização dos volumes anteriores a partir da publicação de artigos complementares, incluindo versões on-line.
Maria das Graças conta que o Programa Biota-FAPESP tem uma proposta de produzir, a partir de 2010, uma lista das espécies da flora paulista. “Vamos somar esforços. A partir daí, planejamos a publicação de um checklist completo das espécies de fanerógamas do Estado de São Paulo. Essa lista não apresentará a descrição, mas indicará a distribuição geográfica por família, gênero e espécie e incluirá pelo menos um voucher, isto é, um registro de material de herbário. A lista completa dará grande visibilidade à flora paulista.”
A pesquisadora lembra que nenhum projeto de flora no Brasil foi concluído até hoje. “O Flora Fanerogâmica é o único projeto de inventário da flora no Brasil que tem preocupação de publicação contínua. Já temos um volume muito satisfatório de monografias, com qualidade reconhecida”, afirmou.
A família das melastomatáceas (Melastomataceae) é a mais numerosa do sexto volume, apresentando 248 espécies, 30 gêneros e 248 espécies. Dez autores participaram do inventário dessa família, sob coordenação de Angela Borges Martins, da Unicamp. “Essa família apresenta grande importância para a flora do Estado, com grande representação de plantas ornamentais, especialmente na Mata Atlântica”, disse Maria das Graças.
Segundo ela, com um número tão elevado de espécies, é difícil exemplificar e destacar alguma planta em especial. “A família das melastomatáceas tem muita importância pela diversidade de espécies e ocorre em todas as regiões e em praticamente todos os ecossistemas do Estado de São Paulo, tanto em áreas muito preservadas como em áreas no início da sucessão ecológica.”
O sexto volume é dedicado à artista inglesa Margaret Mee (1909-1988), no centenário de seu nascimento, pelo seu grande entusiasmo e amor pela natureza. “Suas obras são conhecidas no mundo inteiro, refletindo muito da diversidade vegetal brasileira”, destacou Maria das Graças.

Novas espécies

A presença das melastomatáceas e sua importância nos diversos ecossistemas paulistas são marcantes. “Principalmente na floresta ombrófila densa, onde, nos estágios iniciais, torna-se abundante o manacá (Tibouchina) e o jacatirão (Miconia). Há outras em florestas mais preservadas, geralmente ocupando o sub-bosque, representada por plantas herbáceas, como a Salpinga e a Bertolonia – algumas delas muito raras e ameaçadas de extinção –, e arbustivas, como a Leandra e a Miconia, além de algumas epífitas como a Pleiochiton”, explicou Maria das Graças.
Nas fisionomias campestres, como campos rupestres, campos de altitude e campos de Cerrado, a família das melastomatáceas se torna ainda mais especial, tanto pela riqueza em espécies como pela abundância de indivíduos.
Infelizmente, pela ocupação e degradação desses ambientes, muitas espécies naturais dessas formações estão representadas na flora de São Paulo por exemplares coletados há mais de 50 anos, podendo ser consideradas presumivelmente extintas no Estado. Um exemplo é o gênero Microlicia: das nove espécies citadas para o Estado, três não foram mais encontradas”, disse.
Há ainda muitas espécies que podem ser consideradas raras, ocorrentes nos campos e cerrados, com poucas coletas ou com distribuição restrita a apenas poucas localidades, como, por exemplo, algumas espécies de Leandra, Rhynchanthera, Siphanthera e Tibouchina.
Além disso, a família conta com espécies ornamentais, algumas já utilizadas na arborização urbana – como as quaresmeiras e o manacá (Tibouchina spp.) – e na ornamentação de jardins e praças. Entretanto, há muitas outras espécies com grande potencial ornamental ainda pouco explorado”, explicou a pesquisadora.
As poligonáceas (Polygonaceae) tiveram registros de 34 espécies e seis gêneros, cujas monografias foram produzidas por Efigênia de Melo e Washington Marcondes-Ferreira.
Apesar de as espécies desta família não apresentarem flores vistosas, elas são muito utilizadas na arborização urbana. É o caso do pau-de-novato (Triplaris americana), que se torna ornamental pelos seus frutos alados róseos ou vináceos”, disse Maria das Graças.
O gênero Polygonum é considerado cosmopolita, sendo representado em São Paulo por 14 espécies, geralmente conhecidas como erva-de-bicho, que ocorrem em ambientes alagáveis ou ruderais.
Genise Vieira Sommer, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), coordenou outras três pesquisadoras no levantamento sobre a família das sapindáceas (Sapindaceae), descrevendo 88 espécies de 15 gêneros.
Das 88 espécies referidas para São Paulo, 60 são trepadeiras, geralmente muito comuns nas bordas de florestas. Algumas são consideradas invasoras. Muitas dessas trepadeiras têm o nome popular de cipó-timbó e eram utilizadas para a pesca”, disse Maria das Graças.
Entre as plantas arbóreas dessa família, segundo ela, destacam-se as dos gêneros Cupania e Matayba, frequentes nas florestas paulistas. “O sabão-de-soldado (Sapindus saponaria) é bastante utilizado na arborização urbana e a pitomba (Talisia esculenta) é muito cultivada e consumida pelos seus frutos adocicados”, disse.
A família das esterculiáceas (Sterculiaceae), que completa o sexto volume da coleção com 28 espécies de sete gêneros, foi inventariada sob a coordenação de Flávia Ribeiro Cruz e Gerleni Lopes Esteves, do IBt.
As espécies mais conhecidas dessa família são o mutambo (Guazuma ulmifolia), amplamente distribuída na floresta estacional semidecidual e no Cerrado paulista, e o chichá (Sterculia curiosa), sendo que sua última coleta em hábitat natural data de 1885 e atualmente é apenas encontrada cultivada como ornamental”, disse Maria das Graças.
O gênero Ayenia, natural dos Cerrados, apresenta três espécies no Estado de São Paulo. “Uma delas pode ser considerada presumivelmente extinta, pela ausência de novos registros há mais de 70 anos, e as outras duas espécies são muito raras, com um ou dois materiais depositados nos herbários”, contou.
O sexto volume da coleção apresenta três novas espécies descritas recentemente, uma em 2005 e duas em 2007, e que foram denominadas a partir dos nomes de coordenadores do Flora Fanerogâmica. A Leandra hermogenesii homenageia o professor Hermógenes de Freitas Leitão Filho, mentor do projeto, falecido em 1996. “É uma espécie restrita ao município de Cunha, no interior paulista, em formação de floresta ombrófila densa”, explicou Suzana Martins, do IBt.
A Leandra lapae, que homenageia Maria das Graças Lapa Wanderley, é uma nova espécie coletada somente no município de São Paulo, na região de Parelheiros. George Shepherd foi homenageado com a Miconia shepherdii. “Essa espécie ocorre em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, em formações florestais sobre as serras da Bocaina e Mantiqueira”, disse Suzana.
Participaram do sexto volume do Flora Fanerogâmica pesquisadores do IBt, da Unicamp, da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, da UFRRJ, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, da UEFS, das universidades federais Fluminense, do Rio de Janeiro, do Paraná, de Santa Catarina e de Uberlândia e do Instituto de Botánica del Nordeste, da Argentina.

Título: Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo - Volume 6
Preço: R$ 100
Editora: Instituto de Botânica Vendas: http://www.ibot.sp.gov.br/ ou (11) 5073-6300 – ramal 313.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922) - Livro

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – “Civilizar” o país e inseri-lo em um projeto de modernidade significava, em grande parte, abandonar a ideia do ambiente rural, da natureza selvagem e dos territórios inóspitos e atrasados. Paraíso terrestre, guerra contra a natureza, sentimento de nostalgia, ideia de progresso e transformação da natureza são alguns dos aspectos analisados no livro Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922), que acaba de ser lançado.

A obra investiga como grande parte da intelectualidade brasileira – do fim do século 19 até a Semana de Arte Moderna, em 1922 – percebia e concebia as múltiplas relações entre natureza e sociedade, aliado a um projeto de modernidade nacional.

O livro analisa um conjunto de escritos desse período tanto na ficção como em textos não literários (ensaios, relatos de viagem e memórias) de autores consagrados, como Euclides da Cunha, Graça Aranha e Visconde de Taunay, e outros menos conhecidos, como Alberto Rangel, Hugo de Carvalho Ramos e Domicílio da Gama.

De acordo com a autora Luciana Murari, o conjunto de textos é multifacetado, com muitas contradições, dividido de um lado pela tentativa de “racionalizar tudo”, de encaixar a realidade em modelos cognitivos que a explicassem e que possibilitassem que o homem adquirisse controle sobre a natureza e, de outro, pela percepção da natureza como um espaço sagrado e inatingível.
“Essas duas inclinações não se mostravam mutuamente excludentes no contexto das obras, nem mesmo no conjunto da obra de um mesmo autor. Na melhor das hipóteses, em momentos otimistas, grande parte dos intelectuais brasileiros acreditava que o progresso resolveria tudo, anularia as diferenças e criaria a própria nacionalidade”, disse Luciana, professora do Centro de Ciências Humanas e do Programa de Pós-graduação em Letras, Cultura e Regionalidade da Universidade de Caxias do Sul, à Agência FAPESP.

O livro é resultado de sua tese de doutorado, defendida na Universidade de São Paulo (USP) sob a orientação de Elias Thomé Saliba, professor titular em Teoria da História da USP, e recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

O livro mostra que essa geração de pensadores e ensaístas, mais do que presa às explicações deterministas, biológicas e racistas, viveu uma consciência dividida, característica da cultura do fim de século”, disse Saliba.

A obra revela ainda como esses pensadores, cada um a sua maneira, denunciam a modernidade postiça, construída a partir da devastação brutal da natureza e da destruição dos laços que mantinham a coesão da sociedade tradicional. Alguns de seus argumentos e descrições, com difusa e surpreendente consciência ecológica, mostram-se ainda estranhamente atuais”, disse.

De acordo com Luciana, em relação ao recorte histórico pouco convencional, a ideia foi investigar o período anterior à Semana de Arte Moderna, “porque esse período precisa ser revisto como um todo e não apenas nos momentos que pareceriam, na melhor das hipóteses, antecipar a chamada revolução modernista”.

A delimitação é uma referência para se pensar o início do processo de modernização produtiva no Brasil, que também viveu uma espécie de modernização intelectual nesse período, dedicado a transformar os padrões cognitivos em vigor no debate sobre a nacionalidade e a construir uma nova imagem e uma nova postura frente ao país, baseada na ciência”, disse.

Embora não analise os textos dos chamados modernistas de 1922, a pesquisadora conta ter percebido que não houve uma ruptura radical em relação ao debate modernista e algumas questões que circulavam há tempos entre os intelectuais brasileiros do período anterior.

Os modernistas transformaram muitas coisas e estabeleceram novos padrões estéticos, mas talvez essa noção de ruptura associada ao movimento reproduza o próprio discurso deles, ou de alguns deles, e nos impeça de ver continuidades importantes”, disse.

Ao elencar os escritores interessados na questão da natureza brasileira, Luciana destaca três nomes: o cearense Rodolfo Teófilo, Alberto Rangel, um seguidor de Euclides da Cunha cuja linha ficcional apresenta características de não ficcionais, e Coelho Neto, um dos intelectuais mais prestigiados do seu tempo, mas muito pouco estudado.

Coelho Neto era uma referência para seus contemporâneos, sempre chamado para palpitar nos assuntos mais importantes da vida nacional. Mas acabou, segundo a pesquisadora, ganhando fama de intelectual alienado da realidade nacional.

Essa acusação, a meu ver, não tem fundamento, mesmo porque ele foi uma referência para o nativismo de sua época, como pioneiro da literatura regionalista. A visão de Coelho Neto sobre a natureza resume muito do que seus contemporâneos discutiam, mas ao mesmo tempo é bastante original porque tem um aspecto místico muito forte e uma emotividade arrebatadora”, disse Luciana.

Sonho da modernidade

Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922) está dividido em quatro capítulos, mais um pós-escrito. Um paraíso terrestre mostra as concepções teóricas sobre a relação entre homem e natureza no país e como a relação da sociedade brasileira com sua base natural adquiriu um sentido negativo, “exprimindo um conflito inexorável entre os empreendimentos humanos e as condições do meio natural”.

Guerra contra a natureza, segundo capítulo, aprofunda o diagnóstico “negativo” de uma relação baseada na violência recíproca: tanto a ação destrutiva da natureza em relação aos desígnios humanos como a ação destruídora do homem em relação a ela.

Nos dois últimos capítulos, a autora aborda, respectivamente, o Sentimento do sertão na alma brasileira e o Progresso e transformação da natureza.

Nesse quarto capítulo, discuto a modernidade propriamente dita, compreendida como uma relação de domínio do homem sobre a natureza. Os autores tentavam demonstrar a viabilidade de uma sociedade moderna no ambiente brasileiro, pacificando a luta do homem contra a natureza e superando a melancolia por meio da ação. É um capítulo sobre as utopias da modernidade brasileira”, explicou.

Segundo Luciana, a construção da natureza no imaginário nacional permite observar o dilema brasileiro a partir da perspectiva de homens conscientes e temerosos do peso da formação colonial e escravocrata do Brasil.

Trata-se de um fardo que concorria com seus projetos de alinhamento à modernidade e que perturbava a formação de um sentimento coletivo em um país em que as divisões sociais eram muito profundas e irredutíveis”, apontou.

A modernidade era um sonho que parecia fadado a nunca se realizar, porque aquele peso sempre se fazia sentir e se expressava de forma muito intensa na relação do país com seu meio físico”, disse a autora.

Título: Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922)
Autora: Luciana Murari
Ano: 2009 Páginas: 474
Preço: R$ 50
Mais informações: http://www.alamedaeditorial.com.br/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Criação - Gore Vidal


Ciro Espítama, neto de Zoroastro, aos setenta e cinco anos de idade, já cego, ouve a conferência de Heródoto de Halicarnasso , o Pai da História, no Odeon em Atenas sobre as guerras gregas; revoltado e totalmente contrário à narração feita por Heródoto é incentivado por seu sobrinho Demócrito, então com dezoito anos, a escrever a sua versão da história das Guerras Gregas. Ciro, personagem principal, narra sua trajetória desde a infância vivida na corte de Dario, Rei da Pérsia, onde foi educado ao lado de Xerxes, sucessor de Dário, de acordo com a disciplina militar da corte persa. Lá vê e vive toda a artimanha do poder, as conspirações, os bastidores da corte, as jogadas políticas, a falsidade dos relacionamentos, as alianças, etc., o dia-a-dia de um corte onde cada um joga a seu próprio favor. Como neto de Zoroastro sua sina natural seria o sacerdócio, mas ele queria ser guerreiro; pouco antes da sua consagração, conhecendo suas aspirações, Dario nomeia-o embaixador do Grande Rei para explorar e conhecer a Índia. Liderando uma caravana e com uma carta do Rei da Pérsia outorgando-lhe poder para advogar em nome do soberano, segue para explorar o desconhecido para a época. Em sua estadia na Índia, entre todas as realizações, Ciro se casa, tem duas filhas e conhece Buda. Em seus diálogos conhece os princípios do budismo e compara com o Zoroastrismo; conta intimidades sobre Buda, construindo um panorama perfeito para que o leitor possa reconstruir mentalmente a época e imaginar o cotidiano das pessoas que viveram no século V antes da era cristã. Retorna com o desejo de incentivar o Grande Rei a ?sonhar com vacas?, ou seja, a querer expandir seu reino além do Mediterrâneo, mas os olhos e o coração do rei estavam voltados para outra direção. Apesar de tudo Ciro retorna à corte que já o havia dado como morto e é nomeado Amigo do Rei, cargo que dá enorme prestigio e o faz conhecido por todo o reino. Quando Xerxes sucedeu Dario e tornou-se o rei da Pérsia, mandou Ciro novamente em missão persa, só que agora para Catai região ocidental do império, onde hoje conhecemos como China. Mais uma vez lá vai o homem que nasceu para ser sacerdote que queria ser guerreiro, mas tornou-se embaixador dos reis Dario e Xerxes. Em Catai conhece Confúcio e toda a doutrina da religião chinesa. Este fato auxilia o leitor a fazer comparações entre os princípios de cada uma das correntes religiosas, a visão de cada uma delas sobre de onde viemos e para onde vamos; chegando a citar a afirmação de Pitágoras que se dizia reencarnação de um deus. Nesta trajetória histórica, Gore Vidal nos coloca frente a frente com as contradições entre a justiça e a liberdade, suas faces em cada país, em cada cidade, em cada comunidade. A reconstrução histórica pormenorizada nos leva a refletir sobre a eterna busca do homem de uma explicação para a sua existência, o começo dessa longa estrada chamada vida até o além de seu final. Mantendo viva a pergunta com tantas propostas, mas sem uma única resposta que satisfaça, a não ser a dúvida que persiste: o que há depois da vida? Deus, big bang, o acaso, a mutação, a metamorfose, de onde viemos e para onde vamos? Isso fica a cargo do leitor.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Desemprego por "desalento"

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Pessoas desempregadas há mais de um ano e que nos últimos 30 dias desistiram de procurar trabalho são enquadradas na situação de “desemprego por desalento”. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, cerca de 121 mil indivíduos se encontravam nessa situação em agosto de 2009, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Por que razões esses indivíduos tomam a decisão de interromper a busca pelo emprego? O que significa sociologicamente o desemprego por desalento? O que essa condição acarreta? Essas são questões que a socióloga Fabiana Jardim procura responder no livro Entre desalento e invenção: experiências de desemprego em São Paulo, que acaba de ser lançado.

O livro, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, é resultado do trabalho de mestrado de Fabiana, realizado entre 2002 e 2004 no Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, orientado pela professora Heloisa Helena de Souza Martins, foi feito com Bolsa da FAPESP.

De acordo com Fabiana, o estudo, cujo eixo central são entrevistas com pessoas que haviam passado pelo desemprego por desalento, concluiu que o significado sociológico dessa condição está ligado às dificuldades experimentadas para interpretar o significado e o sentido das rápidas mudanças ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas.

A pesquisa teve origem em um certo desconcerto com essa categoria. Eu queria compreender como se dá essa interrupção pela busca do emprego. E entender seu significado não apenas do ponto de vista estatístico, em relação ao dinamismo do mercado de trabalho, mas da perspectiva dos efeitos sobre as pessoas e sobre sua adesão aos valores do trabalho”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Fabiana, o desemprego por desalento é uma categoria estatística utilizada pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) desde 1984. O objetivo principal de sua adoção era incluir nas estatísticas de desemprego pessoas que, ao interromper a busca por emprego, não eram consideradas desempregadas pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, que utiliza a categoria de “desemprego aberto”.

Em um mercado de trabalho tão heterogêneo como o nosso, o desemprego aberto é uma categoria que acaba não retratando todas as situações de privação de trabalho. O desemprego por desalento foi, então, uma tentativa de contabilizar formas de desemprego oculto. Assim como as pessoas que estão trabalhando por horas insuficientes e com rendimentos insuficientes passaram a ser classificadas como casos de desemprego oculto por trabalho precário”, explicou.

Fabiana realizou o trabalho de campo entre 2002 e 2004, no Centro de Solidariedade de Osasco (SP), onde entrevistou pessoas que, em algum momento de suas trajetórias, haviam passado pela condição de desemprego oculto pelo desalento.

Como as informações são sigilosas, não seria possível identificar as pessoas classificadas pelo Seade nessa categoria naquele momento preciso. Fui, então, a esse local de procura de emprego e ali, conversando, pude identificar quem estava desempregado há mais de um ano”, contou.

A categoria de desemprego oculto por desalento, segundo Fabiana, é bastante específica: são desempregados há mais de 12 meses que interromperam a busca no período de referência de 30 dias – mas que procuraram emprego em algum momento do período de um ano.

Ao todo, fiz a análise de sete histórias de vida: um homem adulto, duas mulheres e quatro jovens, sendo uma mulher e três homens. O desemprego por desalento acaba incluindo nas estatísticas aqueles que estão nas fronteiras da categoria do desemprego – e por isso incide particularmente em mulheres e jovens”, disse.

Desemprego recorrente

Em um dos capítulos, intitulado Uma vida de trabalho, a autora se detém sobre a história de “José”, que, segundo ela, tem características que tornam possível a discussão dos aspectos mais típicos de trajetórias de trabalho iniciadas em meados da década de 1970 e resultaram, no início do século 21, em casos de desalento.

Como a maior parte dos homens que entrou no mercado de trabalho nos anos 1970, José sempre conseguiu circular no mercado de trabalho formal sem muita dificuldade, mesmo não tendo profissão definida. Mas, desempregado em 2002, ele toma a decisão de desistir de procurar emprego. O motivo é que não consegue entender a nova dinâmica de busca pelo trabalho”, disse a socióloga.

Segundo Fabiana, a história corrobora estudos realizados por autores como Nadya Guimarães – pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP – que revelaram uma mudança de padrões no mundo do trabalho: do emprego recorrente, passa-se para um padrão de desemprego recorrente.

José não consegue mais entender como procurar emprego. Em décadas anteriores, ele passava pelas fábricas, tinha contato direto com os empregadores e conseguia uma vaga ao mostrar disposição para trabalhar. Mas atualmente o funcionamento desse mercado é diferente. É preciso ir às agências de emprego – o que, para homens desempregados e com mais de 40 anos, é uma grande angústia. Vários entrevistados diziam ir às agências apenas porque era preciso fazer algo. Mas, ao preencher a ficha, já percebiam que estavam fora do perfil do trabalhador ideal”, disse.

No caso de José, segundo Fabiana, o desalento traduz sociologicamente uma dificuldade específica de um momento de transição do mercado de trabalho, da reestruturação produtiva e da emergência das novas formas de intermediação.

A pessoa acaba desistindo do jogo, porque não conhece suas novas regras. Essa mudança na lógica do trabalho e do emprego ocorreu especialmente em meados da década de 1990, com a proliferação das agências de emprego. Isso de alguma forma também está ligado ao processo de privatização”, disse.

Entre os jovens, segundo Fabiana, o desalento já tem outro significado: alguns desistem por cansaço e revolta. “Eles reclamam que têm escolaridade, têm segundo grau completo, têm cursos de qualificação. Mas manifestam desânimo ou raiva porque, mesmo com essa qualificação, não conseguem trabalho. É como se seguissem à risca as regras do jogo, mas fossem trapaceados por um sistema irracional, aleatório, dependente da sorte”, sugeriu.

Entre desalento e invenção: experiências de desemprego em São Paulo
Autor: Fabiana Jardim
Lançamento: 2009
Preço: R$ 30
Páginas: 238
Mais informações: www.annablume.com.br

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Coletânea reúne cartas de Galileu Galilei

Agência FAPESP – Em 1609, Galileu Galilei (1564-1642) observou pela primeira vez o céu com uma luneta astronômica. No aniversário de 400 anos do feito que mudou a história da ciência, a Editora Unesp lança o livro Ciência e fé – Cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia.

A obra permite que o leitor se aprofunde nos pontos principais da argumentação galileana sobre o papel da interpretação religiosa e científica, em uma coletânea que antecipa o famoso embate entre o astrônomo italiano e a Inquisição, no ano de 1616.

Traduzida diretamente dos documentos originais por Carlos Arthur do Nascimento, especialista em filosofia e história medieval, a compilação das famosas cartas copérnicas – nas quais Galileu discute com representantes da nobreza e do clero do século 17 a ideia de que a Terra gira em torno do Sol.

Os diversos documentos apresentados no livro foram produzidos entre 1613 e 1616, entre cartas e comentários enviados pelo próprio Galileu a nobres. Nos textos, o astrônomo traz suas conclusões científicas, fundamentadas em estudos empíricos. Ao mesmo tempo, atesta a validade dos ensinamentos bíblicos, uma vez que os considera essenciais para a construção moral e religiosa do povo, sem acreditar, entretanto, que devam ser interpretados à luz das ciências da natureza.

Além das cartas, Ciência e fé traz comentários de Galileu sobre os estudos de Nicolau Copérnico (1473-1543) e de sua teoria heliocêntrica documentados nas três Considerações sobre a opinião copernicana. Em decorrência de sua convicção nessa teoria – por ele comprovada, ao estudar as fases de Vênus – o astrônomo foi considerado um herege pela Inquisição pouco tempo depois.

Entre os textos reunidos no livro, estão também registros dos pensamentos da igreja em relação às conclusões do cientista, em carta do cardeal Roberto Belarmino, então consultor do Papa para assuntos da Inquisição. Há, ainda, o decreto da Congregação do Índice, que proibiu a publicação dos estudos de Copérnico sobre a teoria heliocêntrica.

Nascimento é pós-doutorado em história da filosofia e doutor em estudos medievais pela Universidade de Montreal (Canadá). É professor assistente doutor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Ciência e fé – Cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia
Autor: Galileu Galilei
Tradutor: Carlos Arthur do Nascimento
Lançamento: 2009
Preço: R$ 26
Mais informações: www.editoraunesp.com.br

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O nome da rosa - Umberto Eco

Este foi o romance que deu a conhecer Umberto Eco ao grande público, constituindo um enorme êxito de vendas desde que foi publicado pela primeira vez, e continua ainda a ser uma obra bastante popular. E não é de espantar: escrito com imenso humor, o romance dá-nos a conhecer de uma forma expressiva o que era viver num mosteiro medieval. O tema central do romance é a liberdade de estudo e de ensino, a livre circulação do conhecimento. Mergulhada em obscurantismo durante séculos, os mosteiros cristãos constituíam fortalezas onde o conhecimento era preservado com imensas dificuldades. Dado a inexistência da imprensa, os livros tinham de ser copiados à mão por monges dedicados; em consequência, os livros eram bastante raros e de difícil acesso. A ideia ainda hoje popular de que os antigos eram muito sábios resulta em parte da falta de circulação do conhecimento que persistiu até à revolução científica dos séculos XVII e XVIII. Newton, por exemplo, teve por várias vezes a experiência de fazer redescobertas matemáticas que tinham sido conhecidas séculos antes, mas que entretanto se tinham perdido por falta de circulação do conhecimento.

Evidentemente, havia outros obstáculos à livre circulação do conhecimento, na Idade Média, além do problema tecnológico de não existir ainda a imprensa. Um dos mais importantes, tema central deste livro, era o dogmatismo religioso, que encarava o conhecimento como potencialmente perigoso. O romance de Umberto Eco apresenta-se como um livro de detectives: uma série de misteriosas mortes afectam um mosteiro e o protagonista tem por missão descobrir a verdade, um pouco ao estilo de Sherlock Holmes. O contraste entre as novas ideias mais abertas e racionais, mais voltadas para a experiência empírica, e os velhos hábitos fechados e místicos, de costas voltadas para a informação que podemos obter pela experimentação cuidadosa, desempenha também um importante papel no romance. Como é também costume nas histórias de Sherlock Holmes, as mortes a investigar têm à primeira vista um aspecto sobrenatural, mas no fim acaba por haver uma explicação muito humana, demasiado humana, de todas as mortes. Entretanto, o leitor fica preso da primeira à última página, precisamente para saber como se resolve o mistério.

As mortes são o resultado do dogmatismo religioso de um monge, apostado em impedir que um livro julgado perdido de Aristóteles, sobre o riso, possa ser conhecido. E este é um dos aspectos mais profundos e bem conseguidos do romance: poderia pensar-se que matar outras pessoas por causa de um livro sobre o humor não passa de invenção de um romancista ocioso, mas isso seria ignorar que a maior parte dos crimes que assolam a humanidade têm por base o dogmatismo intolerante de quem pensa ter o monopólio da verdade e o direito de a impor aos outros.

Alguns aspectos do romance poderão ser menos simpáticos. O autor parece apostado em atirar aos olhos do leitor uma imensidão de conhecimento histórico, o que por vezes acaba por tornar a leitura menos agradável, apesar de fazer as delícias dos diletantes. A imaginação fervilhante do autor acaba por vezes por ser labiríntica, levando a que quase se perca o fio da história. Mas a bondosa relação do protagonista com o seu discípulo, a sua defesa da racionalidade límpida e sem cedências, a oposição ao dogmatismo que procurava fazer paralisar o conhecimento — todos estes elementos fazem deste romance uma experiência inesquecível.

O título do livro surge na última frase do livro, "Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus", que se pode traduzir do seguinte modo: "A rosa antiga permanece no nome, nada temos além do nome". A ideia é que mesmo as coisas que deixam de existir ou que nunca existiram deixam atrás de si um nome. Eco refere-se talvez ao facto de o Livro do Riso, de Aristóteles, no centro da acção, não ter existido realmente, ou apenas ao facto de, ficcionalmente, ter deixado de existir, deixando apenas o seu nome.

Desidério Murcho

Publicado originalmente em: http://criticanarede.com/lds_nomedarosa.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sentidos do Império- "O Governo dos povos"

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – A produção atual da historiografia brasileira vem revendo e, em muitos aspectos, revalorizando o passado colonial. Alguns historiadores se centram nas dimensões administrativas e políticas enquanto outros revelam aspectos culturais do período.

A análise do Brasil Colônia traz em comum a necessidade de se reavaliar o assunto, mas o tema abarca também visões, em alguns casos, tão distintas quanto discordantes. As conclusões são do livro O governo dos povos: relações de poder no mundo ibérico da Época Moderna, que acaba de ser lançado.

A obra reúne artigos de autores de várias universidades brasileiras e é resultado do simpósio com o tema “Formas de Governar”, realizado em Paraty em 2005. O trabalho se refere ao primeiro ano do Projeto Temático “Dimensões do Império Português”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Laura de Mello e Souza, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP).

Nesse primeiro simpósio o objetivo foi convidar pesquisadores com posições não apenas semelhantes mas também divergentes, de diferentes universidades brasileiras, para discutir o problema do Império português no Atlântico Sul”, disse Laura, uma das organizadoras do livro, à Agência FAPESP – as outras organizadoras são Júnia Ferreira Furtado, professora associada da Universidade Federal de Minas Gerais, e Maria Fernanda Bicalho, professora adjunta da Universidade Federal Fluminense.

Posteriormente, foram realizados outros três simpósios. Em 2006, o tema foi “Escrita do Império”. No ano seguinte, “Religião e Evangelização”. O quarto simpósio, em 2008, abordou o tema “Economia e Sociedade". Para cada tema, será publicado um livro.

O primeiro volume, que também recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, reúne diferentes tendências e pontos de vista. Segundo Laura, não há unicidade nem ortodoxia, mas uma multiplicidade de temas tratados sobre o Império português.

Houve uma revivência dos estudos sobre a administração no período colonial. O processo de digitalização dos documentos de fontes administrativas referentes ao Império português no Atlântico Sul tem permitido que um grande número de pesquisadores tenha acesso a esses documentos antigos”, explicou.

Segundo ela, durante muito tempo o estudo da administração portuguesa no Brasil colonial foi relegado a um segundo plano pouco honroso. “Esse aspecto era visto de maneira mais conservadora, mais voltada para a exaltação da administração portuguesa, do talento português de governar.”

Os novos pesquisadores têm contribuido com uma abordagem diferente. “A visão dessa nova geração de estudiosos começou a ir em outro sentido. Eu, particularmente, estudei mais a cultura política e as trajetórias de governadores, mas não me preocupei com o funcionamento das instituições”, disse.

Dimensões do Império

O livro é composto de seis capítulos (Historiografia, Representações, Crenças e Saberes, Localismos, Trajetórias e Poderes do Centro). As análises incorporam novas perspectivas e revisam criticamente aquelas que marcaram uma tradição historiográfica centrada principalmente nos “mecanismos da dominação colonial”.

É na primeira parte que se concentram, principalmente, as posições mais distintas. Ao discutir a feição do Estado moderno português – se é muito ou pouco centralizador – ou tratar das relações entre Reino e suas possessões como império, império colonial ou português ou antigo sistema colonial, as vozes não são uníssonas.

No artigo Política e administração colonial: problemas e perspectivas, Laura relativiza o “alcance explicativo” da noção de antigo regime no período colonial. Ela aponta características do antigo regime que estão presentes na sociedade europeia e outras inexistentes, como a dependência e a escravidão.

Por outro lado, não acho que existiu uma ‘nobreza’ do ponto de vista sociológico. Nesse ponto, há divergência com outros estudiosos. Há um simulacro, mas as condições sociológicas e históricas que possibilitaram a formação da nobreza no império nem sempre estão presentes na situação colonial”, apontou.

A preocupação não é com as noções, mas com as situações históricas. “As situações históricas são muito mais ricas. Elas trazem algo de novo, portanto muito diferente daquilo que existia no antigo regime. No fundo, postulo uma posição que valorize o dado empírico e a especificidade histórica”, disse.

No livro, tentamos ver até que ponto é possível compatibilizar uma perspectiva que valorize mais a ideia de império, como sendo uma totalidade que amarra, com uma perspectiva que agregue a noção do antigo sistema colonial como uma das expressões do antigo regime”, destacou.

A professora da USP explica que O governo dos povos é um braço do Projeto Temático coordenado por ela e destaca o trabalho de digitalização de mapas antigos realizado pelo Laboratório de Estudos de Cartografia Histórica (Lech) e pelo Centro de Documentação do Atlântico (Cenda), ambos abrigados na USP.

O projeto trabalha com a formação do imaginário imperial português, a partir dos mapas. De acordo com Laura, o grupo que digitaliza os mapas “costuram as atividades das quatro vertentes do Temático”.

Eles são um dos produtos mais importantes do projeto porque são laboratórios que vão continuar no site da universidade, sendo constantemente realimentados”, disse, ao destacar que o projeto reúne pesquisadores da USP, da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade Federal de São Paulo e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

É um projeto que se encerrará em abril de 2010 com grande sucesso, com projeção nacional e internacional. Contribuiu muito na formação de pesquisadores, além de várias teses concluídas, quatro livros e dois laboratórios”, salientou.

O governo dos povos: relações de poder no mundo ibérico da Época Moderna
Organizadores: Laura de Mello e Souza, Júnia Ferreira Furtado e Maria Fernanda Bicalho
Ano: 2009
Páginas: 560
Preço: R$ 65
Mais informações: www.alamedaeditorial.com.br

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Os elementos, de Euclides, é lançado

Agência FAPESP – O tratado matemático Os elementos, escrito por Euclides por volta do ano 300 a.C., é considerado um dos livros mais importantes do mundo ocidental. “Se quiserdes conhecer o que é a matemática, basta olhardes Os elementos de Euclides”, disse o filósofo alemão Immanuel Kant.

No entanto, quem desejasse ler a obra em português precisava se contentar com uma versão incompleta do século 18, feita a partir da edição latina de Commandino, baseada em manuscritos que mesclavam o texto original com comentários e acréscimos de Téon de Alexandria.

Agora, a Editora Unesp lança a primeira tradução moderna e completa para o português, feita diretamente do grego por Irineu Bicudo, preservando o espírito conciso do texto sem que se perca a sua legibilidade. “Se com Homero a língua grega alcançou a perfeição, atinge com Euclides a precisão”, disse Bicudo na introdução.

Os elementos oferecem 465 proposições, além de definições, postulados e axiomas distribuídos em 13 livros, sistematizando e dando sequência lógica para o conhecimento da matemática grega.
Os seis primeiros livros dão conta da geometria plana; os três seguintes, da teoria dos números; o décimo livro, o mais complexo, estuda uma classificação de incomensuráveis/irracionais; e os três últimos abordam a geometria no espaço.

Bicudo é professor titular aposentado do Instituto de Geociências e Ciências Exatas, no campus de Rio Claro da Unesp, do qual foi vice-diretor e diretor. Na década de 1970 passou três anos como pesquisador visitante na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, com apoio de Bolsa de Pós-doutorado da FAPESP. É professor de pós-graduação em Educação Matemática da Unesp-Rio Claro.

Título: Os elementos
Autor: Euclides
Tradutor: Irineu Bicudo
Páginas: 593
Preço: R$ 81
Mais informações e vendas: www.editoraunesp.com.br ou (11) 3242-7171.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Malba Tahan (Júlio César de Melo e Sousa)

Júlio César de Melo e Sousa (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan (Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan), foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil.

Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas e lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo de Malba Tahan.





Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites. Monteiro Lobato classificou-a como: “... obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação.’” Júlio César, como professor de matemática, destacou-se por ser um acerbo crítico das estruturas ultrapassadas de ensino. “O professor de Matemática em geral é um sádico. — Denunciava ele. — Ele sente prazer em complicar tudo.” Com concepções muito a frente de seu tempo, somente nos dias de hoje Júlio César começa a ter o reconhecimento de sua importância como educador. Em 2004 foi fundado em Queluz -- terra onde o escritor passou sua infância -- o Instituto Malba Tahan, com o objetivo de fomentar, resgatar e preservar a memória e o legado de Júlio César. Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento – 6 de maio – foi decretado Dia da Matemática pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Juventude





Júlio César nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz. Seu pai João de Deus de Melo e Sousa e sua mãe Carolina Carlos de Melo e Sousa tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os oito filhos do casal. Quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa. Gostava de criar sapos (chegou a ter 50 deles no quintal de sua casa) e já escrevia histórias com personagens de nomes absurdos como Mardukbarian, Protocholóski ou Orônsio. Em 1905, retornou ao Rio de Janeiro para estudar. Cursou o Colégio Militar e o Colégio Pedro II. A partir de 1913, passou a freqüentar o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica.

A carreira de escritor


Em 1918, Júlio César passou a colaborar no jornal O Imparcial, onde publicou seus primeiros contos com o pseudônimo R. S. Slade. Nos anos seguintes, o jovem escritor estudou a fundo todos os aspectos da cultura árabe e da oriental. Em 1925, propôs a Irineu Marinho, dono do jornal carioca A Noite, uma série de “contos de mil e uma noites”. Surgia aí o escritor fictício Malba Tahan, que assinava os contos que foram publicados com comentários do igualmente fictício Prof. Breno de Alencar Bianco. Seu pseudônimo tornou-se tão famoso que o então Presidente Getúlio Vargas concedeu uma permissão para que o nome aparecesse estampado em sua carteira de identidade. Até o fim da vida, Júlio César escreveu e publicou livros de ficção, recreação e curiosidades matemáticas, didáticos e sobre educação, com seu nome verdadeiro ou com o ilustre pseudônimo.

A carreira de professor

Paralelamente à carreira de escritor, Júlio César dedicou-se ao magistério. Graduou-se como engenheiro civil na Escola Politécnica e como professor na Escola Normal. Deu aulas no Colégio Pedro II e na Escola Normal, lecionando diversas matérias como história, geografia e física, até se fixar no ensino de matemática. Ensinou também no Instituto de Educação e na Escola Nacional de Educação. Além das aulas, Júlio César proferiu mais de 2000 palestras por todo o Brasil e em algumas localidades do exterior. Ficou célebre por sua técnica de contação de histórias e por sua atuação inovadora como professor. Suas aulas eram agitadas e interessantes, sempre repletas de curiosidades que atraiam a atenção dos estudantes.

Outras atividades

Júlio César foi um enérgico militante pela causa dos hanseníacos. Por mais de 10 anos editou a revista Damião, que combatia o preconceito e apoiava a humanização do tratamento e a reincorporação dos ex-enfermos à vida social. Deixou, em seu testamento, uma mensagem de apoio aos hanseníacos para ser lida em seu funeral.

Falecimento

Júlio César faleceu em 18 de junho de 1974 de ataque cardíaco em seu quarto de hotel, após uma palestra proferida no Recife. Deixou uma série de instruções para seu sepultamento: além da mensagem que devia ser lida, exigiu caixão de terceira classe, flores anônimas, nada de coroas, nada de luto nem discursos.


Biografia de Malba Tahan

Ao criar seu pseudônimo, Júlio César criou também um personagem: Malba Tahan. Este escritor, cujo nome completo seria Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan, teria nascido na aldeia de Muzalit, próximo a Meca, a 6 de maio de 1885. Teria feito seus estudos no Cairo (Egito) e Istambul (Turquia). Após a morte de seu pai, teria recebido vultosa herança e viajado pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil. Teria morrido em batalha em 1921 na Arábia Central, lutando pela liberdade de uma minoria local Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco.

Obra


Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. Abaixo, uma lista de seus títulos mais relevantes:

Contos de Malba Tahan (contos)
Amor de Beduíno (contos)
Lendas do Deserto (contos)
Lendas do Oásis (contos)
Lendas do Céu e da Terra (contos)
Maktub! (contos)
Minha Vida Querida (contos)
O Homem que Calculava (romance)
Matemática Divertida e Delirante (recreação matemática)
A Arte de Ler e Contar Histórias (educação)
Aventuras do Rei Baribê (romance)
A Sombra do Arco-Íris (romance)
A Caixa do Futuro (romance)
O Céu de Allah (contos)
Lendas do Povo de Deus (contos)
A Estrêla dos Reis Magos (contos)
Mil Histórias Sem Fim (contos)
Matemática Divertida e Curiosa (recreação matemática)
Novas Lendas Orientais (contos)
Salim, o Mágico (romance)
Diabruras da Matemática (recreação matemática)


Fonte: Wikipedia


sábado, 29 de agosto de 2009

Giovanni Boccacio

Giovanni Boccacio (Paris?, 1313 - Certaldo, 1375) Escritor italiano. Filho ilegítimo de um comerciante florentino e de uma dama francesa, Giovanni Boccaccio é o grande narrador do século xiv. Na sua juventude escreve principalmente obras literárias e poéticas em italiano, enquanto na sua velhice predominam as obras latinas de erudição e poesia. O seu pai tenta encaminhá-lo para a carreira de cambista, para o que o envia para Nápoles. Mas ele detesta este trabalho e realiza estudos de Direito Canónico. Na sua formação tem grande importância o ambiente cultural da corte dos Anjou (Nápoles) e o trato com homens cultos, como o jurista e poeta Cino da Pistoia e o astrónomo genovês Andalò del Negro. Nesta primeira etapa da sua vida, lê muita poesia e variada literatura, desde os clássicos latinos até à literatura medieval de França e de Itália. São uns anos felizes, no mundo da burguesia rica e livre de preconceitos de Nápoles. Ali se apaixona por uma dama da corte, a qual canta com o nome de Fiammetta. Cerca de 1340 volta a Florença chamado pelo pai. Nos anos seguintes percorre as cortes do Norte de Itália. Em 1348 volta de novo a Florença, onde o surpreende a epidemia de peste que descreve mais tarde na introdução ao Decameron e que lhe tira o pai e muitos dos seus amigos. Em 1350 tem lugar o seu encontro com Petrarca, de grande transcendência psicológica e cultural. Continua a relacionar-se com ele em Pádua, Milão e Veneza, sempre com afecto e admiração. Por estas alturas, Boccaccio já é um poeta estimado pelos seus concidadãos, que o encarregam de diversas missões diplomáticas. Cerca de 1361 retira-se para Certaldo, onde se dedica menos à literatura que ao estudo, então nascente, das humanidades. Os seus últimos anos são dolorosos (a morte da sua filha, as doenças, a pobreza). Em 1373, o município florentino encomenda-lhe umas leituras públicas da Divina Comédia. Doente e ofendido pelas críticas de alguns doutos florentinos, retira-se de novo para Certaldo, onde morre aos sessenta e dois anos.

A principal criação de Boccaccio é o Decameron. Trata-se de uma colecção de cem contos narrados, para entreter, por sete donzelas e três jovens que fogem de Florença, assolada pela peste. É um conjunto de lendas, anedotas, contos e novelas de variada procedência e maravilhosamente enraizado na realidade da época. Deste fresco social, pintado com grande realismo, desprende-se toda uma arte de viver. Pela sua maestria nas descrições, pela sua penetração psicológica, pela sua arte de contar, Boccaccio é o primeiro grande narrador moderno.

Entre as suas obras menores contam-se o romance Filocolo; Fiammetta, reflexo da sua paixão amorosa por Maria d'Aquino; e Ninfale Fiosolano, fábula sobre as ninfas de Fiesole. Da sua abundante obra latina sobressaem De casibus virorum ilustrium e De claris mulieribus.

Fonte:http://www.vidaslusofonas.p

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lima Barreto (Biografia)

Afonso Henriques de Lima Barreto

Nascimento 13 de maio de 1881
Rio de Janeiro, Brasil
Morte 1 de Novembro de 1922 (41 anos)
Rio de Janeiro

Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1 de Novembro de 1922), melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.

Era filho de João Henriques de Lima Barreto (português) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico "A Semana Ilustrada". A sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1º à 4º séries. Ela morreu cedo e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.

Vida

Lima Barreto, mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar. Após a morte da mãe, passou a freqüentar a escola pública de D. Teresa Pimentel do Amaral. Em seguida, passou a cursar o Liceu Popular Niteroiense, após o seu padrinho, o visconde de Ouro Preto, concordar em custear sua educação. Lá ficará até 1894, completando o curso ginasial. Em 1895, transferiu-se para a única instituição pública de ensino secundário da época, o conceituado Colégio Pedro II, cujos estudantes eram oriundos basicamente da elite econômica. No ano de 1897 foi admitido no curso da Escola Politécnica, no Rio de Janeiro. Porém, foi obrigado a abandoná-lo em 1902 para assumir o sustento dos irmãos, devido à loucura que afligiu o seu pai. Tendo sido repetidamente reprovado por não se interessar muito pelas matérias - passava as tardes na Biblioteca Nacional -, deixou de graduar-se em Mecânica. Data dessa época a sua entrada no Ministério da Guerra como amanuense, por concurso. O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa escrita, garantia-lhe algum sustento financeiro. Não obstante, o escritor, que só veio a ter reconhecimento fundamental para a literatura brasileira após seu precoce falecimento, cada vez mais deixava-se consumir pelo alcoolismo e por estados emocionais caracterizados por crises de profunda depressão e morbidez.

Lima Barreto começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, no A Quinzena Alegre, depois no Tagarela, O Diabo, e na Revista da Época. Em jornais de maior circulação, começou em 1905, escrevendo no Correio da Manhã uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Daí em diante, colaborou em vários jornais e revistas, Fon-Fon, Floreal, Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Correio da Noite, A Noite (onde publicou, em folhetim, Numa e a Ninfa), Careta, ABC, um novo A Lanterna (vespertino), Brás Cubas (semanário), Hoje, Revista Souza Cruz e O Mundo Literário.

Em 1911 editou com amigos a revista Floreal, que conseguiu sobreviver apenas até à segunda edição, mas despertou a atenção de alguns poucos críticos. 1909 foi o ano de sua estréia como escritor de ficção, publicando, em Portugal, o romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha. A narrativa de Lima Barreto nesse primeiro livro, pincelada com indisfarçáveis traços autobiográficos, mostra uma contundente crítica à sociedade brasileira, por ele considerada preconceituosa e profundamente hipócrita, até mesmo os bastidores da imprensa opinativa são alvo de sua narrativa mordaz, inspirados na redação do Cartas da Tarde. Em 1914 começou a publicação, em formato de folhetins no Jornal do Dia, de sua mais importante obra, Triste Fim de Policarpo Quaresma, que um ano mais tarde foi editado em brochura e considerado pela crítica especializada como basilar no período do Pré-Modernismo.

Entre os leitores, as duas obras anteriormente citadas alcançaram algum êxito, o que não impediu que o autor sofresse severas críticas de outros escritores da época. Baseavam-se elas no fato de Lima fugir, conscientemente, do padrão empolado de escrever que à época vigorava. Chamavam-no "relaxado" por não usar o português castiço e utilizar uma linguagem mais coloquial, muito própria de quem militava na imprensa. Incomodava também o fato de seus personagens não seguirem o "molde" vigente, que impunha limites à criação e exaltava determinadas características psicológicas. Não à toa viu frustradas suas tentativas de ingressar na Academia Brasileira de Letras. A respeito de seus impiedosos e inimigos críticos, Lima acusava-os de fazerem da literatura não uma arte e sim algo mecânico, uma espécie de "continuação do exame de português jurídico".

Simpático ao Anarquismo, passou a militar na imprensa socialista.

Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de "neurastenia", constante de sua ficha médica - vindo a falecer aos 41 anos de idade.

Em 1993, retomando as pesquisas realizadas por Francisco de Assis Barbosa, biógrafo do autor e principal gestor da publicação póstuma de sua obra, Bernardo de Mendonça reuniu no livro Um Longo Sonho do Futuro os seus principais textos confessionais, o Diário Íntimo e o Diário do Hospício, a artigos de jornal e a correspondência ativa, para compor um grande painel autobiográfico deste escritor que, na interpretação de muitos de seus leitores, encarna um dos maiores e inquietantes exemplos, não só do desencontro entre arte e mercado, mas das iniqüidades sociais na história brasileira.

Características

Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.

Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. Foi severamente criticado pelos seus contemporâneos parnasianos por seu estilo despojado, fluente e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas.

Também queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos. Para ele, o escritor tinha uma função social.

Obras

1905 - O Subterrâneo do Morro do Castelo
1909 - Recordações do Escrivão Isaías Caminha
1911 - O Homem que Sabia Javanês e outros contos
1915 - Triste Fim de Policarpo Quaresma
1919 - Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá
1920 - Cemitério dos Vivos
1920 - Histórias e Sonhos
1923 - Os Bruzundangas
1948 - Clara dos Anjos (póstumo)
1952 - Outras Histórias e Contos Argelinos
1953 - Coisas do Reino de Jambom


Curiosidade

Foi homenageado, no Carnaval carioca de 1982, pela Escola de Samba GRES Unidos da Tijuca, com o samba-enredo "Lima Barreto, mulato pobre mas livre".

Fonte: Wikipedia

sábado, 15 de agosto de 2009

Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen (Odense, 2 de Abril de 1805 — Copenhague, 4 de Agosto de 1875) foi um poeta e escritor dinamarquês de histórias infantis. O pai era sapateiro, o que levou Andersen a ter dificuldades para se educar, mas os seus ensaios poéticos e o conto "Criança Moribunda" garantiram-lhe um lugar no Instituto de Copenhague. Escreveu peças de teatro, canções patrióticas, contos, histórias, e, principalmente, contos de fadas, pelos quais é mundialmente conhecido.

Entre os contos de Andersen, destacam-se: O Abeto, O Patinho Feio, A Caixinha de Surpresas, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei e A Princesa e a Ervilha, dentre outros.

Publicou ainda: O Improvisador (1835), Nada como um menestrel (1837), Livro de Imagens sem Imagens (1840), O romance da minha vida (autobiografia em dois volumes, publicada inicialmente na Alemanha em 1847), mas a sua maior obra foram os contos de fadas (Eventyr og Historier, ou Histórias e Aventuras) que publicou de 1835 à 1872), onde o humor nórdico se alia a uma bonomia sorridente, e onde usa simultaneamente a base constituída por contos populares e uma ironia dirigida aos contemporâneos.

Andersen: vida, história e literatura

Hans Christian Andersen nasceu no seio de uma família dinamarquesa muito pobre. O seu pai era um sapateiro de vinte e dois anos, instruído mas de saúde fraca, e de uma lavadeira vários anos mais velha. Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai adorava o seu filho a quem fomentou a imaginação e a criatividade, deixando-o aprender a ler, contando-lhe histórias e, mesmo, fabricando-lhe um teatrinho de marionetas. Hans apresentava no seu teatro peças clássicas, tendo chegado a memorizar muitas peças de Shakespeare, que encenava com seus brinquedos.

Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas onze anos de idade, foi obrigado a abandonar a escola.

Andersen nasceu e viveu numa época em que a Dinamarca regressava ao nacionalismo ancorado em valores ancestrais. De certa forma graças à sua infância pobre, Andersen teve a chance de conhecer os contrastes da sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever quando mais velho.

Aos catorze anos, em 1819, Andersen saiu de casa e foi para Copenhague, uma grande cidade e capital da Dinamarca, com o objetivo de se tornar um cantor de ópera. Em Copenhague as suas atitudes diferentes, depressa o isolaram como um lunático. Apesar da sua voz lhe ter falhado, foi admitido no Teatro Real pelo seu diretor, Jonas Collin, de quem se tinha aproximado e que seria seu amigo para o resto da vida. Andersen trabalhou no teatro como actor e bailarino, além de escrever algumas peças.

O rei Frederico IV interessou-se por tão estranho rapaz e enviou-o para a escola de Slagelse. Apesar da sua aversão aos estudos, Andersen permaneceu em Slagelse e Elsinor até 1827, embora tenha confessado mais tarde que estes foram os anos mais escuros e amargos da sua vida. Durante esse período, Collin financiou os seus estudos.

Em 1828, foi admitido na Universidade de Copenhague. Em 1829, quando os seus amigos já consideravam que nada de bom resultaria da sua excentricidade, obteve considerável sucesso com Um passeio desde o canal de Holmen até à ponta leste da ilha de Amager, e acabou por alcançar reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance O Improvisador, na sequência de viagens que o tinham levado a Roma, depois de passar por vários países da Europa.
Contudo, apesar de ter escrito diversos romances adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que tornaram Hans Christian Andersen famoso. Especialmente pelo fato de que, até então, eram muito raros livros voltados especificamente para crianças.

Ele foi, segundo estudiosos, a "primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças" e buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela nova sociedade que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre "poderosos" e "desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados". Ele também pretendia demonstrar a idéia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais.

Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de Contos, livros com histórias infantis traduzidos para diversos idiomas. Ele continuou escrevendo seus contos infantis até 1872, chegando à marca de 156 histórias. No começo, escrevia contos baseados na tradição popular, especialmente no que ele ouvia durante a infância, mas depois desenvolveu histórias no mundo das fadas ou que traziam elementos da natureza.

No final de 1872, Andersen ficou gravemente ferido ao cair da sua própria cama, e permaneceu com a saúde abalada até 4 de agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague, onde foi enterrado.

Importância atual

Graças à sua contribuição para a literatura infanto-juvenil, a data de seu nascimento, 2 de abril, é hoje o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Além disso, o mais importante prêmio internacional do gênero, o Prêmio Hans Christian Andersen, tem seu nome.

Anualmente, a International Board on Books for Young People (IBBY) oferece a Medalha Hans Christian Andersen para os maiores nomes da literatura infanto-juvenil. A primeira representante brasileira a ganhá-la foi Lygia Bojunga, em 1982.

Foi feito um filme no qual foi romanceada a história de Hans, mesclando trechos de seus contos com sua vida, cujo título no Brasil foi A vida num conto de fadas (no original em inglês, Hans Christian Andersen: My Life as a Fairy Tale).

Fonte:Wikipedia

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Marquês de Sade

Em 15 de novembro de 1956 iniciava-se um processo criminal em Paris, o réu, Donatien Alphonse François, ou melhor, o Marquês de Sade, também conhecido como Divino Marquês por uma pequena parcela de intelectuais e artistas. Tal processo fora iniciado devido à tentativa de um editor - Jean Pauvert - de lançar em edição as obras completas do Marquês. O tribunal mostrava-se contrário, porquanto desde o início do século XIX as obras mais picantes de Sade eram tidas como capazes de destruir o corpo e a alma de qualquer leitor.
Entretanto depois de as acusações serem apresentadas, aceitou-se o contato do público com a inteligência selvagem do Marquês. De acordo com sua filosofia alternativa, escrita durante o período que esteve recluso, nenhum Deus, moralidade, afeição e esperança deveriam existir, apenas a extinção humana num delírio erótico terminal. O homicídio, a sodomia, o incesto etc., seriam os meios capazes para a obtenção desse fim. A partir disso, considerou-se que o fulcro da obra sadeana fosse a perversão, porém, o constante aparecimento da Providência - Deus - em todas as suas obras, desmascara o verdadeiro ponto principal: o ateísmo intelectual, sendo o único Deus a natureza, para a qual segundo Sade, o bem e o mal não são aspectos antagônicos, mas sim essenciais para a manutenção do equilíbrio.

Período de Formação

Não se objetiva aqui dar a biografia detalhada do marquês, mas sim desenvolver os aspectos principais de sua obra de acordo com o contexto de sua criação. Apenas a fim de esclarecer o seguinte: observa-se que Sade foi preso por libertinagem excessiva.

A importância da prisão na prosa sadeana é grande, posto que treze anos de vivência na cadeia acham-se refletidos na brutalidade de seus heróis fictícios. O inverno de 1778 foi decisivo na formação do processo mental do marquês. Imaginando jamais ser solto, Sade começou a escrever cartas desesperadas a sua esposa. Após esse momento de desespero, começou a construir um mundo próprio dentro dos confins de sua cela; suas cartas já não refletiam a preocupação com uma possível soltura, mas traziam novas observações. Sade pede a sua esposa que lhe envie livros e materiais para escrever.

Ele não seria o triste e suplicante prisioneiro, mas o defensor de sua causa. Não ficaria louco, mas chocaria as mentalidades através de sua brilhante clareza intelectual, empregando a sanidade contra seus inimigos. "Eu sou um libertino, mas não sou nenhum criminoso ou assassino", declarava Sade em suas cartas a Renée-Pélagie, começando a destacar suas ânsias sexuais e crenças filosóficas, e dizendo que a primeira coisa a ser feita após sair da prisão seria beijar-lhe todo o corpo e ler Buffon, Voltaire e Rousseau. Sexo e literatura começavam a se equilibrar em sua mente. Em determinada carta, Sade critica as posições da mãe de Renée acerca da inviolabilidade do ânus feminino, relembrando os prazeres que dele podiam ser usufruídos.

Por volta de 1784, observa-se que o alter-ego do marquês realmente começa a entrar em cena. Diz em outra de suas cartas, que "a prisão é um lugar de maldade. A solidão que aqui impera dá poder a certas obsessões e o transtorno que uma semelhante força produz torna-se mais rápido e inevitável".

Não há nenhum marco cronológico que explicite a partir de quando, Sade, além de ser um prisioneiro, torna-se um escritor. Mas o que surgia cada vez mais de sua correspondência era a vigorosa manifestação do intelecto, particularmente em questões filosóficas. Sua esposa se recusava a enviar-lhe as Confessions de Diderot, mas ele lera Voltaire, o qual, apesar de aceito, era criticado em pontos concernentes ao Cristianismo. Também lera La Mettrie, autor de L'homme Machine (1748), cujas idéias exerceram grande influência sobre ele. O homem , de acordo com La Mettrie, deve ser definido em termos de evidência científica e experimentação. No que diz respeito ao ângulo científico, toda a atividade humana pode ser explicada sem recorrer a conceitos como alma e/ou espírito. Adotando a hipótese de La Mettrie, Sade ignorou o fato de que o mesmo considerara tanto a existência de Deus quanto a da imortalidade da alma prováveis, embora não corroboráveis cientificamente.

"A glândula pineal é onde os filósofos ateus colocam a sede da razão humana", escreveu a Renée. Ele se fixou no sistema de La Mettrie, e o elaborava em seus próprios modos. Voltara a escrever peças, as quais, exatamente como seus romances, registrariam os pesadelos sexuais particulares de seu encarceramento. O Cerco de Beuavais, mostrava a dramaturgia patriótica de Sade. Oxtieren, ou A Queda da Luxúria, apresentava-o como desconfiado moralista. Com raras exceções, suas peças foram rejeitadas, reescritas e novamente rejeitadas pelos teatros do período revolucionário.

Não obstante ocupado em escrever peças, em 1782 Sade já se preocupava em expor com maior clareza sua produção como filósofo ateu. Em Diálogo entre um Sacerdote e um Moribundo observam-se características já realmente marcantes do modo sadeano de pensar e ver o mundo: após morto, o moribundo descrente é tomado por seis belas mulheres que passam a corrompê-lo, "ensinando-lhe a corrupção da natureza". O moribundo, nesse caso, observa que o crime e a virtude são meros processos da natureza, um argumento a partir do qual Sade desenvolveu em termos como vício e virtude, ou crime e moralidade, eram sem sentido no universo mecanicista de La Mettrie, para o qual uma explicação racional do universo pode ser compatível com a idéia de Deus. Foi essa "fraqueza" particular do materialismo de La Mettrie que Sade procurou desenvolver. As conseqüências de rejeitar a crença numa ordem divina trazem um substituto para Sade, a natureza passa a ocupar o lugar de Deus. A única moralidade era a da natureza, a qual não ligava para o absurdo das convenções humanas segundo as quais certas coisas são tidas como criminosas, diferente do que ocorre no restante do universo animal. Logo, todos os extravagantes desejos sexuais de Sade tornam-se razoáveis e até racionais. Mesmo sem procriação, e com a conseguinte extinção da humanidade , não haveria diferença para a natureza, porquanto os cadáveres entrariam em decomposição, fornecendo à natureza energia para uma nova forma de vida.

Entretanto, boa parte das perversões desfiladas em sua obra ficcional não condiziam com seu comportamento. Observa-se que a obra de Sade não apresenta uma filosofia contínua e inalterada. Para ele, apesar das críticas feitas ao Antigo Regime em Justine, a revolução de 1789 também foi uma experiência por demais desenganadora, cuja nova ordem é zombada em As Prosperidades do Vício. Não obstante, apesar desta filosofia ateísta, Sade precisava manter o seu lado público, dizendo opor-se a crueldade e defender a república que lhe sucedeu, assim como apoiar as instituições estabelecidas.

Escritos da Bastilha

Em 1783, em outra carta à sua esposa, confessa que "o lado mais sombrio de sua natureza estava estabelecendo rápido e permanente controle sobre sua mente". Mas antes de tal fato se consumar literariamente o Marquês foi transferido da sua atual prisão (Vincenmes) para uma nova, a Bastilha. Nessa cela, em 1785 inicia a redação de seu primeiro romance, Os 120 Dias de Sodoma, começando do seguinte modo:

"As grandes guerras que impuseram tão pesado fardo a Luís XIV esgotaram tanto os recursos do tesouro quanto do povo. Mas mostraram também a um bando de parasitas o caminho da prosperidade. Tais homens estão sempre a espreita de calamidades públicas, que não se preocupam em aliviar, antes procurando criá-las e alimentá-las a fim de que possam tirar proveitos dos infortúnios alheios."

Entre os homens supracitados, Sade tirou seus quatro heróis ficcionais (em sua maior parte religiosos) que iriam recolher-se durante o inverno no castelo de Silling, junto a uma série de pessoas visando dar-lhes toda a assistência em matéria de libertinagem. Esses 120 dias dividem-se de acordo com os tipos de vícios a serem executados: paixões simples, paixões complexas, paixões criminosas e paixões assassinas. Mais do que o relato incessante de desvios sexuais, é a criação, no romance, onde Sade parece desenvolver seu próprio mundo, onde o prisioneiro é o senhor. Um lugar onde "já não há repressões, já não há obstruções. Não há nada a não ser a consciência". Só a primeira parte do livro foi escrita, o restante foi desenvolvido em anotações.

O romance seguinte, Aline e Valcour, o qual ocupou os três próximos anos de sua prisão, tem a forma de uma troca de cartas entre o herói e a heroína do título, cuja felicidade é frustrada pela determinação de seu pai em casá-la com um velho devasso. Se há alguma coisa no romance que seja peculiarmente sadeano, é a história de Sainville e Léonore, que é contada como uma longa interpolação no meio da tragédia de Aline e Valcour. Há muito que Sade se deixara fascinar pelas excentricidades tanto do comportamento social quanto sexual nas remotas partes do mundo. Ele se interessara particularmente pelos descobrimentos do capitão Cook. Tal esquema, possibilita a Sade se utilizar de aspectos culturais para tratar de novas perversões, entre elas, a antropofagia. Nesse romance, Sade repisa o tema do absurdo que para ele se constituía em tentar estabelecer códigos de moral, posto que para ele, o que é virtuoso em uma outra parte do mundo, é considerado abominável em outra.

Um ato virtuosos não era apenas sem sentido em si, mas, num universo regido pelo que os incultos chamam de vício, essa pretensa virtude era tratada com violência tanto pelo homem quanto pela natureza. Há dois aspectos dedutíveis a partir disso:1) a moralidade e a religião são negadas pelos próprios princípios da natureza; 2) os sofrimentos da virtude são permitidos por Deus para serem recompensados na outra vida. Apesar disso, a vitória da virtude é retratada no próximo livro de Sade, Justine, Os Infortúnios da Virtude. Entretanto, ironicamente, também pode se observar o prazer encontrado em grande parte das personagens em maltratar uma garota virtuosa e religiosa. Independente da intenção verdadeira do autor, ele chegou através do argumento antireligioso a um ponto que os pensadores do Iluminismo pouco trataram. Insistia que a moralidade, separada da religião, feneceria; sendo então impossível haver leis superiores às da natureza e do instinto às quais o moralista pudesse apelar. Sugerir que um instinto é mais criminoso ou virtuoso que o outro é um absurdo lógico. A humanidade deve escolher entre dois destinos alternativos. Deus e a moralidade devem ser dispensados ou mantidos. Um mundo sem Deus e, conseguintemente, sem qualquer justificativa para a moralidade, era precisamente o que a ficção de Sade buscava relatar. A moralidade não é indipensável, mas, se deve ser mantida, só o pode na base da autoridade divina.

Semelhante à Justine, também são as pequenas histórias intituladas Contos de Amor, nos quais Sade aproveita-se consideravelmente de seus conhecimentos acerca da tradição e do quotidiano franceses. Tanto Justine como os contos supracitados não trazem os excessos explícitos de Os 120 Dias, entretanto, além dessa escrita pública, Sade continuava a produzir textos que denunciavam claramente todas as formas de religião e virtude, admirando apenas a natureza, entre eles, A Verdade.

O Divino Marquês e a Revolução:

No ano de 1788, começaria o ataque direto à autoridade real. A aristocracia francesa, que perdeu para a coroa boa parte do seu poder político, juntava esforços para restaurar sua condição. Se a nobreza queria reforma, os comuns também a queriam. Quando o rei concedeu que empreendesse a reforma, os comuns imediatamente exigiram paridade de representação com a nobreza. Em janeiro de 1789 houve uma eleição, já sob o sistema reformado, na qual aproximadamente um quarto da população votou. Os Estados Gerais foram determinados diante da autoridade real.
Em junho de 1789,estava claro que Luís XVI já não controlava a avalanche democrática. Suas tropas moveram-se em direção a Paris, tendo recebido ordens para dispersar a multidão envolvida no tumulto da Praça Luís XV.

A situação política complicava-se ainda mais devido ao fracasso da economia, ao exorbitante aumento do pão, à invasão de Paris por trabalhadores famintos que ali esperavam achar meios de sobrevivência. Inicialmente, os burgueses e o povo tinham objetivos bem diferentes. Mas, no final de junho de 1789, apenas dias seriam necessários para a realização das ambições políticas ca classe média.

Sade, acompanhava todo o movimento de sua cela na Bastilha, A Torre da Liberdade, chegando a crer que fosse libertado, para tal, improvisa um alto-falante e se dirige à multidão ao redor da Torre, insistindo para que assaltassem a Bastilha antes que atrocidades iminentes se efetuassem. Porém, dez dias antes da queda da Bastilha, o marquês é removido para o manicômio de Charenton, sendo os outros prisioneiros postos em liberdade.

Em 1790 a primeira Assembléia Nacional reuniu-se em Paris. O marquês não era o tipo de figura que suscitasse simpatia entre os revolucionários. Mesmo sem nenhuma esperança de ser libertado, em 2 de abril viu-se livre, posto que fora emitido um ato de anistia aos presos pelo regime anterior por força das lettres de cachet. Nesse caso, sua primeira urgência era a sobrevivência financeira, os primeiros atos revolucionários haviam secado suas fontes.

A riqueza e o título da família Sade eram perigosas, tornando-o suspeito aristocrata; logo Sade viu-se obrigado a trabalhar, voltando-se ao teatro, com a vantagem de possuir um grande número de peças já escritas. Submetia-se peças ao novo regime através da leitura da mesma diante dos membros de um teatro, o qual posteriormente procederia uma votação. Alguma peças foram aceitas, mas houve adiantamentos e nenhuma peça foi produzida. A penas a peça O Subornador fora realmente encenada, mas altamente vaiada por um grupo de revolucionários. O único modo de Sade ganhar dinheiro seria através de suas antigas rendas.

Para tanto, Sade começou a manter correspondência com seu antigo advogado Gaufridy, tentando reaver alguns lucros sobre suas terras em La Coste. Em suas cartas dizia adorar o rei, mas execrar os abusos cometidos durante o antigo regime. A única revolução a que daria o seu consentimento voluntário seria a que propusesse uma constituição do tipo inglês. Sendo aristocrata, a idéia de se aliar a população revolucionária - cujos integrantes eram descritos em suas cartas como idiotas ou criminosos vulgares - parecia-lhe extremamente desagradável. Entretanto, em uma correspondência de julho de 1791, observa que também há os revolucionários burgueses, para os quais a revolução seria apenas um meio de promover suas próprias carreiras. Acerca desses, Sade escreve posteriormente em Juliette, dizendo que não tem o menor interesse em qualquer tipo de bem-estar além do próprio, sendo a revolução apenas o meio de transferir os poderes do governante atual para eles. É óbvio que Sade não poderia emitir tais opiniões publicamente, logo, passa a simular respeito por organismos públicos como a Assembléia Nacional, tomando suas primeiras precauções contra a possibilidade de ser denunciado como contra-revolucionário.

Sade vivia na Section de Piques, tornando-se ativo e posteriormente secretário da mesma . Também tornou-se membro da Guarda Nacional. Era altamente solicitado como autor e como secretário, tendo sido nomeado pela seção comissário para a administração de hospitais. Através desse estratagema, Sade passou a gozar de certa influência e prestígio.

Como panfletista, Sade produziu seu primeiro trabalho em decorrência da fuga de Luís XVI em junho de 1791, aproveita-se de tal fato para redigir Uma Alocução de um Cidadão Francês ao Rei de Paris, no qual, apesar de reconhecer a traição real, continua dizendo que a única solução para a França é a monarquia. "A França jamais pode ser governada a não ser por um rei. Mas o governo de um rei deve ser aceito por um povo livre, e ele deve permanecer fiel à lei desse povo".

Após os massacres de setembro de 1792, Sade continuava a pregar a democracia revolucionária em seu trabalho Idéias sobre a Maneira de Sancionar Leis, cujo texto é feito de acordo com as instruções da Séction de Piques. Louva os que tomaram o poder das mãos dos revolucionários que apoiavam a monarquia. É curioso ver Sade como um autor da Revolução, publicando panfletos por cujo conteúdo não era totalmente responsável. Escrevera a seu advogado dizendo que o maior bem consistia em poder viver sem os outros, não obstante a Revolução exaltou uma obrigação do coletivismo.

Pensando no controverso caráter do marquês, é curiosa sua observação acerca dos massacres de setembro de 1792, porquanto ele poderia ter participado a fim de dar liberdade a seus desejos recônditos. Em vez disso, observou que o comportamento daqueles que propunham ser os líderes do povo, dizendo que o que realmente ocorria era uma fome desmesurada de poder, assim como um desejo de violência. Vista a experiência de Sade na revolução, não é de todo improvável que os horrores descritos em Juliette sejam baseados nas violências de setembro de 1792.

No início de 1793, algum tempo após o degolamento do rei, Sade começou a ser visto como anti-patriótico e contra-revolucionário, e o Comitê de Segurança Pública começou a ouvir rumores de que Sade era culpado de opinar que a utopia a que o novo regime se propunha era de qualquer modo inevitável. A fim de melhorar a sua situação, escreve, em setembro de 1793, Alocuções aos Espíritos de Marat e La Pelletier, no qual Sade louva o altruísmo de Marat, o qual desaprova o egoísmo como lei universal; também louva La Pelletier, pela sua coragem em votar a favor da morte do rei. Como facilmente se observa, Sade encobre suas verdadeiras opiniões com o objetivo de salvar a própria pele: critica o egoísmo - tido por ele como verdadeira lei universal - e mostra-se contrário à monarquia.

Em julho de 1793 Maximilien Robespierre ingressa no Comitê de Segurança Pública, suas palavras adquirem grande autoridade sobre o espírito de muitos franceses. "A essência do republicanismo é a virtude", "a Revolução é a transição de um governo de crime para um governo de justiça" e "a natureza é o verdadeiro templo do sacerdote supremo; o universo é o seu templo, e a conduta virtuosa é o meio pelo qual ele é adorado." são frases suas. Apesar disso, a guilhotina é utilizada em grande escala, visando exterminar todos os inimigos da nova sociedade. Nesse contexto, Sade recebeu um mandato do Comitê Revolucionário, o qual ia julgá-lo por atividades contra-revolucionárias. Motivo de acusação: procurar emprego na guarda real em 1791.

Foi inicialmente aprisionado no convento das Madelonettes, tendo sido freqüentemente transferido à espera de julgamento. Recebeu acusação formal, sendo finalmente transferido para a casa de detenção em Picpus; sua cela possuindo visibilidade para o espaço em que a guilhotina funcionava. Escreveu a Gaufridy, "vi mais de 1000 homens e mulheres encontrarem a morte para satisfazer o fanatismo de Robespierre pela virtude"

Novamente na prisão, o marquês retoma sua atividade como ficcionista, escrevendo Filosofia na Alcova, o qual mostra um deliciar-se com toda espécie de crueldade sexual, justificando o vício e a brutalidade sob a alegação de que tal proceder é republicano, o texto trata-se de uma irônica denúncia à República de Robespierre. O livro desmascara toda e qualquer religião, exceto a de Satã, a bondade e a filantropia são desencorajadas como motivadoras da revolta dos oprimidos. A república da moralidade natural é descrita por Sade em relação à sua atitude para com pretensos crimes; não haverá pena capital aplicada pelo governo, nem em caso de assassinato. É claro que na fase final de sua obra Sade procurava desmantelar a Revolução Francesa, mesmo em Juliette, também se pode observar um semelhança entre a jacobina "Sociedade dos Amigos da Constituição" e a fictícia "Sociedade dos Amigos do Crime".

No dia 15 de outubro Sade é novamente libertado vivendo em estado de penúria, tendo sido novamente aprisionado no dia 8 de março de 1801, novamente no manicômio de Charenton, onde se dedicou a escrever romances históricos e a encenar suas peças.





Bibliografia:

ALEXANDRIAN: Sade ou o Terror Sexual in História da Literatura Erótica. Rio de Janeiro. Rocco. 1994. 4ª ed. págs. 200 - 205.
ALEXANDRIAN: Os Panfletos Revolucionários in História da Literatura Erótica. Rio de Janeiro. Rocco. 1994. 4ª ed. págs. 207 - 214.

DUEHREIN, E.: El Marques de Sade. Su Tempo. Su Vida. Su Obra. Madrid. s/d.

MORAES, E.: Sade: O Crime entre Amigos. in Libertinos e Libertários. São Paulo. Cia. das Letras. 1996. págs.: 245 - 254.

PRADO JR., B.: A Filosofia das Luzes e as Metamorfoses do Espírito Libertino. in Libertinos e Libertários. São Paulo. Cia. das Letras. 1996. págs.: 43 - 58.

SADE: Obras Diversas.

TROUSSON, R.: Romance e Libertinagem no séc. XVII na França. in Libertinos e Libertários. São Paulo. Cia. das Letras. 1996. págs.: 165 - 182.

Fonte: http://www.klepsidra.net/